|


Confira
o que aconteceu com fatos abordados
em grandes reportagens da revista ISTOÉ
A reportagem
Em
1997, representantes dos governos brasileiro e americano estranharam-se
em torno das relações comerciais. De um lado, os americanos
alegavam desconfiança das intenções do Brasil em relação à
globalização enquanto a maioria dos países embarcava nessa
onda. Imperava a velha máxima de que o Brasil teria de abrir
os seus mercados na mesma proporção em que os EUA se dispusessem
a abrir o seu. Caso contrário não haveria acordo entre os
dois. Isso acontecia ao mesmo tempo em que os EUA restringiam
a entrada de vários produtos brasileiros, causando um prejuízo
anual de aproximadamente US$ 3 bilhões ao País. Os americanos
fecharam o ano de 1996 com um superávit de US$ 2 bilhões devido
a abertura comercial brasileira. O Brasil sugeria aos demais
países latino-americanos a idéia de negociar em bloco seus
interesses, consolidando o Mercosul, assim chegaria fortalecido
à Área de Livre Comércio das Américas (Alca), a ser formada
a partir de 2005. Já os EUA defendem a negociação de país
a país. Além disso, os americanos estavam bastante receosos
da gradativa aproximação entre o Mercado Comum Europeu e o
Mercosul. A abertura estava longe de seguir uma via de mão
dupla.
O
que houve depois
A
via de mão dupla ainda está longe de se concretizar. A pressão
para que o Brasil acelere o processo de negociação da Área
de Livre Comércio das Américas (Alca) com EUA continua. Nos
últimos dias, três episódios deixaram claro para alguns diplomatas
brasileiros que o Brasil corre um sério risco de ficar isolado
na América do Sul. Um dos primeiros golpes foi o anúncio de
negociação de acordo de livre comércio do Chile com os Estados
Unidos, o que inviabiliza qualquer possibilidade de o país
integrar um bloco sul-americano de comércio. Dessa forma,
chega ao fim o objetivo do Brasil de expandir o Mercosul e
o fortalecer para assim conseguir negociar com os EUA em torno
da Alca. A Argentina também já corre para aceitar a proposta
americana. O presidente chileno Ricardo Lagos sugeriu a antecipação
para 2003 o início de formação da Alca. Além disso, Equador
e El Savador estão dolarizando suas economias. Com isso tudo,
parece não haver futuro para o Mercosul.
|