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Confira
o que aconteceu com fatos abordados
em grandes reportagens da revista ISTOÉ
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GRANDES
NEGÓCIOS QUE QUEBRARAM O BRASIL
Este é
o roteiro das obras inacabadas do faraó Ernesto
Geisel
Edição 1229, de 21/04/1993
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A reportagem
Na
década de setenta os militares, principalmente o presidente
Ernesto Geisel, iniciaram várias grandes obras pelo
País, usinas nucleares, ferrovias, siderúrgicas,
projetos de irrigação e saneamento básico.
Era época do "milagre econômico" do
ministro Delfim Netto. ISTOÉ viajou o Brasil para verificar
como estavam alguns desses delírios
que fizeram a alegria de fabricantes e bancos estrangeiros,
encheram bolsos de funcionários do governo e aumentaram
tremendamente a dívida externa. Em 1974 ela era de
US$ 12 bilhões e constituída basicamente por
particulares, principalmente filiais de empresas multinacionais.
Quando Geisel terminou seu mandato, em 1978, a conta virara
estatal e chegava aos US$ 60 bilhões.
Projeto
Jaíba
Criado em 1975, O Jaíba pretendia irrigar o sertão de Minas
Gerais, próximo da Bahia, com águas do Rio São Francisco.
Seriam 100 mil hectares onde estariam assentados 10 mil colonos
e empresários de todo mundo produziriam de leite a mel. Em
1983 o projeto já havia consumido US$ 250 milhões e ainda
eram necessários US$ 500 milhões para concluir todas as etapas.
Projeto
Sanegran
Iniciado em 1971 e chamado de "A Itaipu dos esgotos", numa
alusão à gigante usina hidrelétrica de Itaipu, este projeto
de saneamento básico deveria tratar todos os dejetos produzidos
pelos rios da Grande São Paulo, uma previsão de 63 metros
cúbicos por segundo no ano 2000. Quinze anos depois havia
enterrado concreto equivalente a nove "maracanãs" no trecho
entre a Lapa e Barueri e espera tratar modestos 28,5 metros
cúbicos por segundo até 2005, sendo que para isso são
necessários US$ 2 bilhões.
Açominas
A
Açominas foi decidida num dos três grandes pacotes
que Geisel assinou em 1976 quando, sucessivamente, esteve
em Londres,
Paris e Tóquio. A idéia inicial era produzir
dez milhões de toneladas de perfis de aço por
ano. A produção deveria começar em 1980,
começou em 1985. Como os financiadores da obra eram
europeus,
os equipamentos foram retalhados: dos quatro laminadores comprados,
dois eram alemães, um inglês e outro francês.
Hoje os enormes equipamentos vindos da Alemanha estão
parados.
Ferrovia
do Aço
Prevista para unir São Paulo e Belo Horizonte em cerca
de 800 km
de pista dupla eletrificada, a Ferrovia do Aço opera
apenas em um trecho entre a cidade mineira de Jeceaba e Barra
Mansa, no Rio de Janeiro. Mais de US$ 2 bilhões foram
gastos, sendo US$ 250 milhões em equipamentos comprados
da Inglaterra e que estão estocados em um armazém
na cidade paulista de Cruzeiro. Entre eles estão 35
locomotivas desmontadas, 600 toneladas de cobre puro e milhões
de arruelas, rebites, grampos, roldanas e polias.
Usinas
Nucleares de Angra 2 e 3
A
mais polêmica obra de Geisel para o "Brasil Grande",
capaz de desafiar as superpotências. Resultado do Acordo
Nuclear Brasil-Alemanha, assinado em 1975, Angras 2 e 3 foram
contratadas conjuntamente. Angra 2 começou a ser construída
em 1976, com
os trabalhos se arrastando até 1983, quando foram paralisados.
Angra 3 é somente uma cratera cravada na rocha, inundada.
Foram comprados equipamentos para as duas usinas no valor
de
US$ 2 bilhões e duas fábricas foram construídas,
a Nuclep,
Nuclebrás Equipamentos Pesados, e a Nuclei, Nuclebrás
Enriquecimento Isotópico, esta para enriquecimento
de urânio.
O valor gasto nestas duas chega a US$ 800 milhões.
O que houve depois
Projeto
Jaíba
Em fins de 1997, o projeto irrigava 25 mil hectares do
extremo-norte de Minas Gerais, com pouco mais de 1.000
famílias assentadas e alguns pequenos empresários.
Projeto
Sanegran
Pouco
saiu do papel, o projeto foi abandonado, sendo substituído
pelo Programa de Despoluição da Bacia do Alto
Tietê. Em 1992, o porcentual da população
atendida pela Sabesp na região metropolitana era de
63%. O projeto Tietê gastou em sua primeira fase US$
1,1 bilhão. Para a segunda fase, prevista para durar
até 2003, será necessário mais US$ 1,1
bilhão, sendo que US$ 400 milhões já
foram captados pelo governo Covas neste ano. Outro bilhão
de dólares é necessário para a terceira
fase do projeto, que tem conclusão prevista para 2010.
Açominas
Em 1986 iniciou operação integrada da Usina
Presidente Arthur Bernardes, sendo privatizada em 1993. Hoje
exporta sua produção para todos os continentes,
principalmente para a Ásia. Em 1998
seu balanço registrou um prejuízo líquido
de R$ 92,766 milhões.
Ferrovia
do Aço
A Ferrovia do Aço continua funcionando no mesmo trecho
de 1993. A Rede Ferroviária Federal, RFFSA, foi retalhada
em seis empresas que foram privatizadas entre 1996 e 1997.
Em liquidação, a RFFSA hoje administra os ativos
arrendados, o patrimônio não arrendado e
o passivo remanescente.
Usinas
Nucleares de Angra 2 e 3
Depois
de 24 anos e gastos de R$ 12 bilhões, a usina nuclear
de Angra 2 entrou em operação. Ela começou
a gerar energia em 21
de julho deste ano. Angra 3 continua a ser um buraco gigante
e inundado.
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