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Confira o que aconteceu com fatos abordados
em grandes reportagens da revista ISTOÉ


A PASTA ROSA
Abra e descubra quais são os documentos secretos mais procurados do País

Edição 1368, de 20/12/1995


A reportagem

Com exclusividade, ISTOÉ mostrou o conteúdo do dossiê das contribuições do Banco Econômico, de Ângelo Calmon de Sá, para a campanha de 25 candidatos nas eleições de 1990, época em que pessoas jurídicas eram proibidas de fazê-lo. Nomes, números e o esquema político estavam em uma pasta rosa. ISTOÉ havia revelado a existência destes documentos duas semanas antes. O Econômico havia sofrido intervenção do Banco Central em agosto de 1995. Dois meses depois Flávio Barbosa, interventor nomeado pelo BC, achou a tal pasta em uma saleta ao lado do banheiro do gabinete de Calmon de Sá. Ela foi guardada no cofre do então diretor de Normas e Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, quando deveriam ter sido entregues à Receita Federal.

A lista mostrava um sistema azeitado e organizado de financiamento eleitoral. O valor total doado pelo Econômico chegava a US$ 2,4 milhões, sendo que só o senador Antonio Carlos Magalhães, segundo os documentos, havia recebido US$ 1,114 milhão. ACM na época disputava o governo da Bahia, onde era a sede do banco. Faziam parte da lista nomes como o do senador José Sarney, deputados federais Renan Calheiros, de Alagoas, Ricardo Fiúza, de Pernambuco e Benito Gama, da Bahia. Outros candidatos a governador estavam lá, como Joaquim Francisco, por Pernambuco e José Agripino Maia, pelo Rio Grande do Norte. O dossiê também continha a lista de contribuições feitas no mesmo período pela Federação Nacional dos Bancos, a Febraban.

O que houve depois

Ângelo Calmon de Sá foi indiciado pela Polícia Federal por crime contra a ordem tributária e o sistema financeiro, com base na Lei do Colarinho-Branco. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, pediu o arquivamento do inquérito em fevereiro de 1996. Nenhum político foi punido por causa da pasta rosa. Cinco anos depois da quebra de seu banco, em agosto de 1999, Calmon de Sá negou ter dado contribuições eleitorais ilegais para ACM quando este se elegeu governador da Bahia, em 1990. "As contribuições em 1990 não passaram de US$ 15 mil e destinaram-se apenas a quatro pessoas que eram ex-funcionários do banco."










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