157401 de dezembro de 1999  
Foto: DÁRCIO DE JESUS
O chefe de bar Guilherme Gomes e seus
coquetéis para uma ocasião especial

  B E B I D A S
Um gole de erotismo
Drinques afrodisíacos dão empurrãozinho para o sucesso da noite

EDUARDO FERRAZ

Um encontro a dois, luz de velas, Chet Baker tocando ao fundo, poltronas aconchegantes... A atmosfera romântica já está pronta para uma noite que promete ser inesquecível. Ih, mas o tempo está passando e ainda não rolou aquele clima? Experimente, então, tomar dois drinques afrodisíacos. Pode ser o toque que faltava para se perder a noção da hora. Apostando nessa receita, uma casa noturna aberta há pouco mais de um mês em São Paulo, com o sugestivo nome de Sutra, apresenta no seu menu quatro tipos de coquetéis afrodisíacos para um público formado basicamente por casais de namorados ou rapaziada de ambos os sexos em busca de paquera. A fórmula parece dar certo. Pelo menos na opinião de Flávia Pereira, estudante de Arquitetura de 22 anos, que, na semana passada, resolveu fazer uma surpresa para o namorado, Luís Dias, e o levou ao bar. “Eu tomei um que tem jurubeba e guaraná e ele bebeu um com catuaba. Ficamos naquele mistério sobre o que ia acontecer e, de repente, deu aquela reação, um calor”, descreveu Flávia. O resto não precisa detalhar. Basta dizer que ela considerou a noite “perfeita”.

Um produto considerado afrodisíaco tem, em geral, compostos vaso-dilatadores, mas não é nenhum Viagra. No entanto, ao contrário do remédio que faz sucesso contra impotência - comprado discretamente na farmácia, com receita médica, e ingerido na surdina -, a proposta dos drinques é diferente, apesar de pretender oferecer resultado semelhante. “Ainda não estou sentindo nada de diferente, mas só de tomar isso já dá um clima”, diz o estudante de Administração Rafael Araújo, 23 anos, ao lado de sua namorada, Juliana Car-valho. Isso porque pedir um drinque afrodisíaco fun-ciona quase como uma carta de intenções (no caso, segundas intenções). “Hoje, existe nas pessoas uma busca maior de sensualidade, mas de maneira sutil, na base da insinuação”, diagnostica Guilherme Gomes, chefe do bar do Sutra, formado em bar e hotelaria na Austrália e autor dos drinques. No começo do ano, ele começou a inventar os coquetéis para tomar com sua namorada. Comprava em sex shops dois tipos de elixir - um de guaraná e catuaba (que é a semente do guaraná) e outro, conhecido como “elixir do amor”, que, além dos dois produtos, tem jurubeba e mel - e misturava-os com outras bebidas para melhorar o gosto e dar um toque mais ro-mântico ao ritual. Aper-feiçoou as combinações até chegar à fórmula dos quatro drinques, que têm teor alcoólico e sabor distintos. Para os mais corajosos, criou o Passion, que leva ovo de codorna e ostra fresca. “Não tem como o rapaz e sua gatinha tomarem alguns drinques afrodisíacos e depois dizerem, tchau, vamos dormir”, brinca Alexandre von Gerichten, sócio do Sutra. Mas Guilherme adverte: “Só tem que ter cuidado com a força do álcool. Se beber demais, o efeito pode ser contrário.”

 

 
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