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Foto: MASSAO GOTO FILHO
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A R Q U I T E T U R A
Chique brasileiro
O arquiteto Claudio Bernardes mostra a versatilidade de seu traço num livro que reúne 30 de seus projetos
EDUARDO FERRAZ
Ao folhear o livro que acaba de ser lançado pela editora DBA, reunindo 30 de seus mais de mil projetos, o arquiteto Claudio Bernardes exclama várias vezes: “Olha só como isso é genial!” O que poderia ser considerado uma tremenda falta de modéstia, não passa de um entusiasmo genuíno por suas obras - entusiasmo, aliás, compartilhado por quase todos que as conhecem. Aos 50 anos, 33 de carreira, Claudio tem um traço elegante e versátil que o tornou um dos mais requisitados arquitetos da alta sociedade. De sua prancheta, podem sair tanto uma mansão em tubos de metal e vidro, como a que fez no Rio de Janeiro para o cineasta Walter Salles, quanto uma casa toda em madeira, com detalhes de inspiração indígena e teto de palha, estilo predominante nas construções espalhadas pelas ilhas de Angra dos Reis, onde ele calcula ter feito umas 150 casas. Em comum, elas guardam algumas das características do arquiteto carioca, como os espaços amplos, a integração com os elementos da natureza e, frequentemente, um toque inusitado. Numa residência erguida sobre palafitas, por exemplo, Claudio colocou uma estrutura de vidro no meio da sala, onde normalmente ficaria um tapete. Assim, trouxe até os pés dos moradores o movimento das pequenas marolas. E, se pode haver água em baixo, por que não em cima? No casarão de João Roberto Marinho, herdeiro da Rede Globo, o telhado de vidro, plano, é coberto por alguns centímetros de água, como uma piscina rasa. Quando o vento sopra, a luz filtrada que entra no ambiente começa a tremer criando uma atmosfera mágica. O proprietário só não o deixou colocar peixes ali, como era a idéia original. “A arquitetura te permite fazer qualquer coisa que você imaginar”, diz Claudio. “Mas eu trabalho no limite do sonho do cliente, porque, se eu for muito além, ele não vai gostar da casa.” Para captar os desejos do futuro morador, o arquiteto diz que é preciso ser uma espécie de psicólogo. Ele costuma ter longas conversas com a família que vai viver na casa antes de começar seus esboços. E, para isso, não mede esforços. Em 1994, quando foi elaborar um projeto para o falecido bicheiro Castor de Andrade, o primeiro encontro entre os dois aconteceu dentro de uma cela. “Ele estava me esperando com pijaminha de seda para o café da manhã”, lembra Claudio. “O Castor era inteligentérrimo, uma figura, mas eu estava morrendo de medo”, admite, entre gargalhadas. O desprendimento de espírito que o levou a atender um criminoso dentro da cadeia é algo que vem da infância. De uma ilhota que a família tinha no fundo da Baía de Guanabara, onde passava os três meses das férias de verão, Claudio se lançava nas águas a bordo de um pequeno barco a vela construído por ele. E garante que chegou a ver um boto cor-de-rosa num dos rios da região. Mas não era só lá que ele se divertia. Filho de Sérgio Bernardes, um dos maiores expoentes da arquitetura brasileira, ele se enturmava com os amigos do pai. Portinari, Guignard, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Nara Leão, Carybé, toda essa turma fazia encontros memoráveis em sua casa. Ele também conheceu, bem ali na sua sala, Le Corbusier, Brigite Bardot, Robert Kennedy e Maurice Béjard. Certa vez, esteve lá um curador do Museu de Arte Moderna de Nova York, que passou reto por quadros de Di Cavalcanti e Portinari e se deteve diante de duas telas de Claudio, então com 15 anos. Impressionado, o curador arrematou as obras por cerca de US$ 300. “Na época era um dinheirão. Me mandei para a Bahia e passei seis meses na farra”, lembra. Sem desperdício - Apesar do sucesso inesperado na pintura, a partir dos 17 anos, Claudio iria dedicar-se exclusivamente à arquitetura, onde desenvolveu toda sua arte - sempre leve, simples e precisa. Sobre ela, o jornalista Nirlando Beirão, autor do texto de A arquitetura de Claudio Bernardes, escreveu com exatidão: “Não há desperdício em um único de seus gestos arquitetônicos. Ele é grandioso na discrição. Não é palavroso, não cultiva a exuberância. Mas também não quer fingir a espontaneidade de um pintor naïf - sua obra é cerebral.” Esse estilo pode ser conferido através da lente de Tuca Reinés, que fez as fotos para o livro. “Foi muito legal ver o meu trabalho reunido nessas páginas, mas isso é o passado”, avalia Claudio. “O melhor é o futuro que está por vir”, diz. E começa a falar animado de seu próximo projeto.
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