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Foto: ROTARY ROCKET
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E S P
A Ç O
Moinho voador?
Conheça o astrocóptero, o foguete que vai inovar
o lançamento de satélites
PETER MOON
Cerca de 1.200 cientistas, empresários e jornalistas se reuniram em 1º de março num hangar no meio do deserto de Mojave, no sul da Califórnia, para conhecer um revolucionário lançador de satélites, o primeiro astrocóptero da história. Dom Quixote talvez o confundisse com um moinho de vento com as pás colocadas no lugar errado. Ele também lembra o silo de grãos de algum agroboy moderninho. Seu nome é Roton, construído pela Rotary Rocket. Foi criado para disparar em direção da órbita terrestre de forma convencional e, logo após a reentrada na atmosfera, estender suas pás para pousar suavemente como um helicóptero. O protótipo foi feito em escala natural e mede 19 metros. Ainda não possui propulsores nem irá ao espaço. Deve apenas voar uns mil metros para checar o funcionamento do rotor. Gary Hudson, o presidente da Rotary, já gastou US$ 30 milhões no projeto. O dinheiro é de investidores como o romancista Tom Clancy, autor de Caçada ao Outubro Vermelho, que entrou com US$ 1 milhão.
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Foto: NASA
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| X-33:
protótipo do novo ônibus espacial |
Faltam ainda US$ 150 milhões para lançar em 2000
um Roton de verdade. Este será comandado por dois pilotos,
pesará 200 toneladas e levará até 3,2 toneladas
de carga. Segundo os cálculos, acelerará até
27 mil km/h, 25 vezes a velocidade do som. Hudson não esconde
que o principal motivo para a festa de apresentação
do Roton é atrair mais dólares para o seu caixa. Ele
conta vários argumentos. O mercado de satélites de
comunicação está explodindo. Nos últimos
24 meses, a Iridium, primeira empresa a operar celulares de uso
global, enviou 66 deles lá para cima. Agora é a vez
dos concorrentes GlobalStar (52 satélites) e ICO (12). A
partir de 1999, o Teledesic, megaprojeto de Bill Gates orçado
em US$ 9 bilhões, irá montar uma constelação
de 288 satélites para oferecer acesso ultraveloz à
Internet em escala planetária. Estima-se que entre 1998 e
2007 nada menos que 1.600 satélites necessitem pegar carona
em algum veículo espacial. Só que os meios existentes,
ônibus espaciais americanos e foguetes russos e chineses,
não darão conta do recado. É aí que
entra a iniciativa privada. Existe uma dezena de empresas bolando
maneiras de colocar carga em órbita. Quem saiu na frente
foi a Rotary.
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ILUSTRAÇÕES: ROTARY ROCKET
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| O Roton sobe como um foguete tradicional
para colocar sua carga em órbita e pousar na vertical
como se fosse um helicóptero |
Na corrida para abocanhar uma fatia desse bilionário mercado,
o segredo é reduzir ao máximo o custo de lançamento,
que é de US$ 5 mil por quilo nos ônibus espaciais e
de US$ 2,5 mil no foguete francês Ariane. Com seu Roton, Hudson
espera cobrar apenas US$ 500. Qual o segredo? Ao contrário
dos foguetões tradicionais, que se vão desmembrando
e despejando dois ou três estágios na ascensão,
o astrocóptero tem apenas um estágio e não
solta peças no espaço. Isso o torna reutilizável,
podendo decolar para uma nova missão poucos dias após
voltar de outra. Mais um fator de barateamento é optar pelo
querosene de aviação como propelente e não
pelo hidrogênio líquido. Além de caro, esse
deve ser transportado em tanques até sete vezes maiores que
os de querosene. Tanques maiores significam mais peso e maior resistência
aerodinâmica. Sem falar nos propulsores, que pesam o dobro
daqueles que queimam querosene.
Na ponta do lápis, cada missão do Roton custará US$ 7
milhões, contra os US$ 500 milhões do ônibus
espacial. A Nasa, aliás, já trata de fazer cair esse
valor. Neste momento, no Centro de Pesquisa de Vôo Dryden,
também em Mojave, está sendo testado o VentureStar
X-33 (acima), projeto da Lockheed-Martin. É uma miniatura
da nova geração de shuttles, idealizada para
voar no século XXI.
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