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Cada
peso, uma medida
Começa
a surgir um novo conceito de peso, mais flexível e voltado à manutenção
da saúde
Poucas
coisas são tão cíclicas quanto padrão de beleza. As tendências das
décadas de 50, 60 e 70, por exemplo, já foram todas repaginadas
em plena década de 90. Agora, são as curvas dos anos 80 que prometem
voltar ao topo em pleno fim de século. Mulheres como Luana Piovanni,
Sheila Carvalho e até mesmo a modelo Gisele Bundchen, que, apesar
de esguia faz qualquer um derrapar em suas curvas e seios insinuantes,
são provas de que o conceito de magreza quase está com os dias contados.
Até mesmo a modelo Kate Moss, uma das mais maiores representantes
da geração cara-de-fome, ganhou alguns quilinhos.
Mania
de dieta
Uma pesquisa realizada pela Divisão de Psicologia do
Hospital das Clínicas de São Paulo (HC) confirmou
a eterna mania que a mulher tem de emagrecer. Das 206 entrevistadas,
33,6% das que estavam dentro do peso saudável se sen-tiam
gordas. Com os homens, aconteceu o contrário. Dos 134
entrevistados, 55,4% considerados gordos ou gordinhos pelo cálculo
do IMC se sentiam dentro do peso saudável. Outro dado
importante: 34% dos pesquisados fazem e interrompem die-tas
há mais de cinco anos. Algumas mulheres admitiram ter
feito mais de 30 regimes. A obsessão feminina pela perda
de peso tem uma explicação. Segundo Mara Cristina
de Souza, coordenadora da pesquisa, quando a mulher pensa em
perder apenas aquela gordurinha localizada, ela está
atrás do sonho de voltar a ser como era aos 20 anos.
"Mas quando ela consegue perder aquele 'excesso' de peso
e o sonho não se realiza, surge a frustração
e ela volta a engordar." |
Ideal
O problema é que nesse vaivém - uma hora mais magra,
outra mais gordinha -, a mulher acaba se perdendo entre fórmulas
mirabolantes para conquistar o cobiçado corpo do momento.
Mas, afinal, o que é realmente preciso fazer para se chegar
ao peso ideal sem perder as estribeiras? Segundo os médicos,
nada, pois o conceito de peso ideal já não existe
mais. "O que existe hoje é um peso adequado para cada
pessoa e que não acarrete riscos à saúde, seja
pela falta ou excesso de peso", explica Alfredo Halpern, professor
de Endocrinologia da Universidade de São Paulo (USP) e chefe
do grupo de obesidade do Hospital das Clínicas de São
Paulo.
A fórmula mais usada hoje para saber se uma pessoa está
ou não acima do "peso saudável" é
o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal) em conjunto
com a medida da cintura. É a partir desse resultado que se
pode saber se a gordura está de fato representando um risco
para o organismo. O tamanho da cintura entrou na conta porque já
se sabe que a gordura acumulada no abdômen, por uma série
de mecanismos do próprio organismo, é mais perigosa.
A obesidade preocupa porque, direta ou indiretamente, está
associada a várias doenças, como hipertensão,
diabetes e até problemas nas articulações.
No entanto, é importante ressalvar que uma pessoa não
tem, obrigatoriamente, de atingir um IMC abaixo de 25 para ser saudável.
"Já seria muito bom se ela reduzisse o IMC de 40 para
30" diz Halpern. Não se trata de mera complacência
médica. Na verdade, sabe-se que quando se perde de 5% a 10%
do peso corpóreo, a incidência de doenças relacionadas
à obesidade diminui consideravelmente.
O problema, porém, é que os brasileiros - assim como
os americanos - têm se tornado cada vez mais obesos. Hoje,
pelas contas dos especialistas, nada menos do que 32% de toda a
população do Brasil está com excesso de peso.
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De
olho na balança
O
parâmetro adotado para avaliar os riscos que a gordura
pode trazer à saúde é baseado no cálculo
do Índice de Massa Corporal (IMC) e no tamanho da cintura.
O IMC é obtido dividindo-se o peso corporal pelo quadrado
da altura em metros. Um exemplo: uma pessoa que pese 70 quilos
e meça 1,72m deve calcular seu IMC da seguinte forma:
70
-------------- = 23,7
1,72 X 1,72
IMC
entre 18,5 e 25
Faixa de peso saudável
IMC
menor que 18,5
Peso abaixo do normal. Mas se o biotipo da pessoa for longilíneo
- alongado - pode ser que o total de gordura esteja correto.
Caso contrário, há maior predisposição
para males como desnutrição e infecções
pulmonares (por falta de nutrientes, o sistema de defesa do
corpo fica prejudicado e não combate com eficiência
vírus e bactérias)
IMC
entre 25 e 30
Classificado como excesso de peso. Começam a aparecer
as chances de surgimento de complicações como
diabetes, hipertensão arterial e colesterol. Nas mulheres,
se a cintura for maior do que 80 centímetros, os riscos
aumentam ainda mais. E mesmo se o IMC for menor do que 25,
mas a cintura ultrapassar 80 centímetros, é
bom entrar em estado de atenção. Essa medida,
sozinha, já predispõe ao aparecimento de males
IMC
entre 30 e 40
Nessa faixa, as chances de ocorrência de hipertensão,
colesterol elevado e diabetes aumentam consideravelmente.
Também sobem os riscos de surgimento de doenças
relacionadas às juntas articulares. Nas mulheres, combinado
com cintura maior do que 88 centímetros, esse IMC é
sinônimo de perigo ainda maior. E, mesmo se o índice
for menor, mas se a cintura for maior do que 88 centímetros,
o perigo continua
IMC
maior do que 40
Considerada obesidade mórbida, é quase sempre
acompanhada de várias doenças relacionadas ao
excesso de peso. Se a paciente não emagrecer com dietas,
exercícios e remédios, costuma-se indicar uma
cirurgia para diminuir o tamanho do estômago
Fonte:
Alfredo Halpern, médico de São Paulo
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Hábitos
As causas de tamanha proporção são conhecidas.
É verdade que os fatores genéticos representam cerca
de 30% das causas da obesidade, mas os hábitos modernos -
sedentarismo e aumento do consumo de gordura, entre outros - completam
os 70% restantes. O stress crônico também entra nessa
lista. "Além de fazer a pessoa comer mais, o stress
também aumenta a produção do hormônio
cortisol (cortisona), levando à retenção de
líquido e acúmulo de gordura na região do abdômen",
explica Ricardo Botticini Peres, endocrinologista do Hospital Albert
Einstein, em São Paulo.
Para acabar com o excesso de peso, a ordem agora é esquecer
as dietas. Principalmente quando se baseiam em shakes, sopas, chás
e complementos alimentares, entre outras fórmulas prontas.
O que se preconiza é a chamada reeducação alimentar,
ou plano alimentar. Segundo Walmir Coutinho, presidente da Associação
Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), as dietas, além
de monótonas, desestimulantes, impessoais, rígidas
e impostas, têm o inconveniente de ter um começo, um
meio e um fim. "O plano alimentar é progressivo, para
vida toda. A pessoa aprende a comer bem, no dia-a-dia, sem passar
fome ou ainda se privar de festas, viagens e restaurantes."
O assunto é tão sério que a Abeso lançou
recentemente a campanha Dieta Não (para maiores informações,
basta acessar o site da entidade www.abeso.org.br).
Na prática, a reeducação alimentar significa
comer com saúde. Ou seja, comer com qualidade, diminuindo
a ingestão de produtos gordurosos como carnes vermelhas e
frituras, dar preferência para legumes, frutas e verduras
e também carboidratos (pão, macarrão, batata
e arroz, entre outros alimentos). Só para se ter uma idéia,
um grama de carboidrato fornece quatro quilocalorias, enquanto o
mesmo grama de gordura fornece nove quilocalorias - mais que o dobro.
Portanto, melhor é pedir um prato de massa com molho ao sugo
em vez de um com molho quatro queijos. Feijoada ou picanha podem
ser degustadas, eventualmente, mas sempre com moderação.
Exercício
É claro que no esforço para perder peso não
se pode esquecer da prática de atividade física. Mas
isso não significa que seja necessário frequentar
uma academia todos os dias. Atitudes simples, que podem ser adotadas
no dia a dia, podem ajudar bastante. Preferir a escada ao elevador,
parar o carro um pouco mais longe do trabalho, levantar para mudar
o canal da televisão ou ainda para atender ao telefone auxiliam
e, muito, a queimar calorias e promover o bem-estar. Caminhar 30
minutos por dia também é recomendável.
Os remédios - que costumam encher os olhos de quem está
atrás de soluções prontas e rápidas
- devem ser adotados somente quando a reeducação alimentar,
juntamente com a prática de atividades físicas, não
surtirem efeito, e a pessoa estiver com a saúde comprometida.
"O ideal seria não usar remédio, mas é
preciso avaliar, antes de tudo, o custo/benefício que ele
traz, afirma Ricardo Peres. Hoje, existem três grupos de remédios
mais utilizados (leia quadro à pág. 65). Não
há uma regra que determine qual dos medicamentos será
usado. Vai depender de como o paciente reagirá a cada um
deles.
Infelizmente, há casos de obesidade em que nem mesmo o uso
de medicamentos surte mais efeito. Quando todos os recursos já
foram esgotados, recorre-se a uma cirurgia para diminuir o tamanho
do estômago, permitindo a redução de cerca de
40% do peso em um ano. Um dos serviços capacitados para a
realização desta operação é o
Hospital das Clínicas de São Paulo.
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Soluções
nas pílulas
Os remédios mais utilizados na luta contra a obesidade
Anorexígenos:
são os inibidores de apetite e foram os primeiros a
surgir no mercado. Representados pelo dietilpropiona, fenproporex
e mazindol (substância ativa), podem causar dependência
quando usados a longo prazo
Sibutramina:
aumenta a sensação de saciedade e acelera a
queima de gordura pelo organismo. Não há restrição
quanto ao seu uso, a não ser em casos de hipertensão
arterial grave e problemas nas artérias coronárias.
Sua utilização em crianças e idosos deve
ser feita com cautela. Comercialmente são representados
pelo Plenty ou Reductil
Orlistat:
reduz em 30% a absorção da gordura ingerida
sem agir no sistema nervoso. O Xenical é o primeiro
representante deste novo grupo de medicamentos
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O
ideal, no entanto, é evitar que a gordura vá tomando
conta do organismo até um ponto em que só uma cirurgia
é capaz de contê-la. E isso é possível
sem muito sacrifício. É só se acostumar, por
exemplo, a levar um bombom para a frente da televisão em
vez da caixa inteira, não exagerar na compra de guloseimas
no supermercado ou pedir o sorvete sem a cobertura, são algumas
estratégias. A receita, quando se trata de obesidade, é
o bom senso. O melhor é não sofrer exageradamente
quando a balança aponta dois quilinhos a mais. Mas se a gordura
ameaça à saúde, é preciso combatê-la.
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