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16) Dom Eugenio Sales
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Dom Eugenio Sales chamou o então governador do Rio Grande do Norte, Dinarte Mariz, para visitar a área onde seria implantado o plano piloto da reforma agrária no vale do Pium. Era uma terra de ninguém. "Lembro que não tinha viva alma. Conseguimos a desapropriação, escolhemos os agricultores e fizemos a divisão de lotes. Quando conduzi o governador até lá, como íamos passar o dia inteiro, me preocupei em levar comida e até vinho. Sentamos embaixo de uma árvore e fizemos a refeição", contou dom Eugenio a ISTOÉ.
Pode parecer estranho a muita gente que o atual cardeal--arcebispo do Rio de Janeiro estivesse, na década de 50, quando era o bispo auxiliar de Natal, envolvido de corpo e alma num projeto de reforma agrária. Afinal, a imagem de dom Eugenio é a de um religioso conservador, afeito apenas às coisas da alma. "Muitos falam em justiça no campo e nunca fizeram nada. O que eu fiz está lá até hoje e funciona muito bem", afirma ele. Durante o regime militar, dom Eugenio agia em silêncio para salvar da prisão e da tortura centenas de pessoas. Uma vez, tupamaros e monteneros (guerrilheiros uruguaios e argentinos, respectivamente) foram até o Palácio São Joaquim, sede da arquidiocese do Rio, pedindo socorro. "Pensei e rezei toda a noite. Aí decidi: abram os portões." Ligou para o I Exército e avisou: "Sou responsável por eles." Mais de dois mil refugiados latino-americanos foram acolhidos por dom Eugenio nos anos 70. O governo militar brasileiro fingia que não sabia, porque o tinha como aliado.
Fiel ao papa Se, na política, a imagem de conservador é falsa, no que diz respeito aos dogmas da Igreja é a pura realidade. "Ele é absolutamente fiel ao papa. Não responde quando sofre ataques pessoais. Mas, se agredirem a Igreja, vira uma fera", afirma seu irmão, dom Heitor, arcebispo de Natal. "Não entendo como alguém pode crer em Deus e defender o aborto", diz. Por essas e outras, o cardeal potiguar (nasceu em Acari a 8 de novembro de 1920) garante: "Prefiro os não-católicos aos maus católicos."
VOCÊ
SABIA?Nas férias escolares, alfabetizava os agricultores que viviam perto do sítio da família. Adora o campo. Se não seguisse a vocação religiosa, teria sido agrônomo.
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