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8) Elis Regina
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dos votos
"Se
ser geniosa, exigente e não gostar de ser passada para trás
é ser mau-caráter, então eu sou." Elis
Regina de Carvalho Costa era assim como se descrevia. Uma índole
vulcânica e explosiva, foi muitas vezes acusada de ser arrogante
e antipática, embora os amigos não poupassem elogios
à sua generosidade e companheirismo. Polêmica, sim,
mas fora dos palcos, porque em cima deles era - e é até
hoje - uma unanimidade. Dona de uma belíssima voz, excepcional
técnica vocal e de uma sensibilidade musical incomparável.
Em menos de 20 anos de carreira, gravou 31 discos, onde imortalizou
algumas das mais belas canções da música popular
brasileira em interpretações mais do que apaixonadas.
Descobriu talentos como Milton Nascimento, João Bosco, Renato
Teixeira, Tim Maia e Ivan Lins.
A gauchinha
tímida e recatada que começou a carreira cantando
na Rádio Farroupilha de Porto Alegre, cidade onde nasceu
em 1945, deu lugar a uma mulher de personalidade forte e efusiva
quando chegou ao Rio de Janeiro para tentar a sorte em 1962. Desde
os 11 anos já fazia sucesso na provinciana Porto Alegre da
década de 50, cantando no programa Clube do guri.
A primeira vez que esteve na rádio para cantar, o nervosismo
foi tanto que jorrou sangue do nariz sem parar, manchando o vestido
branco de organdi que a mãe tinha feito para a ocasião
tão especial. E foi assim até o fim da vida. Antes
de qualquer apresentação, tremia, gaguejava e precisava
do incentivo dos colegas para encarar a platéia.
Marca registrada
No Rio de Janeiro, fez o primeiro show no antigo bar Botlle's, em
Copacabana. As brigas e inimizades que Elis cultivou a vida inteira
começaram a surgir neste tempo, quando ainda tinha 17 anos
e precisava se esconder do Juiz de Menores que vez em quando aparecia
por lá. Decepcionada com as constantes brigas entre os organizadores
do show, um belo dia sumiu do mapa sem dar satisfações.
Apareceu pouco tempo depois apresentando-se no bar vizinho, no primeiro
de uma série de shows que faria com a dupla Miele e Ronaldo
Bôscoli.
Nesta época,
Elis criou os gestos que se tornariam sua marca registrada. Quando
cantava, levantava os braços e girava-os como se fossem hélices
de helicóptero. Por isso passou a ser chamada de Hélice.
O apelido mais famoso seria dado por Vinícius de Moraes:
Pimentinha. Uma palavra que exprime a miudeza física e personalidade
explosiva.
Declarações
bombásticas eram comuns nas entrevistas. Falou mal da Tropicália
de Caetano e Gil e mais tarde gravou músicas dos dois. Desprezou
a bossa nova do marido Ronaldo Bôscoli, mas gravou com Tom
Jobim e Roberto Menescal os melhores discos de sua carreira. Chamou
os militares da ditadura de 'gorilas', mas cantou na Olimpíada
do Exército de 1972.
Brigas homéricas
O talento era intuitivo, Elis nunca estudou canto, teoria musical
nem aprendeu a tocar qualquer instrumento que fosse. E fez do palco
sua morada, o único lugar onde reinava absoluta e por isso
não dividia a glória com ninguém. "Separar-me
do palco é a mesma coisa que castrar um garanhão",
disse em 1969 numa entrevista a Clarice Lispector. A cada apresentação
aprimorava mais sua performance e o sucesso veio à galope,
na esteira da bossa nova. Consagrou-se em 1965 cantando Arrastão,
de Edu Lobo e Vinícius de Moraes no I Festival da TV Excelsior.
Era então uma garota de 20 anos, mas costumava dizer que
como cantora "tinha 40 anos bem-vividos". Na TV Record
apresentou, ao lado de Jair Rodrigues, o programa Fino da Bossa,
considerado até hoje um dos mais importantes da história
da televisão brasileira. Com Jair gravou alguns de seus discos
mais vendidos, Dois na Bossa, volumes I, II e III.
Do casamento
de poucos anos com o compositor Ronaldo Bôscoli, em 1967,
costumava dizer que só levou de bom o filho João Marcelo
e um certo amadurecimento pessoal. Juntos protagonizaram brigas
homéricas, geralmente em público. Nesta época,
embarcou numa promissora carreira internacional que só não
deu mais certo porque não conseguia ficar muito tempo longe
do Brasil. No Olympia de Paris, em 1968, foi ovacionada e voltou
ao palco seis vezes depois do final do show. Após temporada
de sucesso na Europa, casou-se com o pianista e arranjador César
Camargo Mariano, com quem viveu durante nove anos e teve dois filhos,
Pedro e Maria Rita.
Presença
constante na televisão, tinha uma legião de fãs
que compravam seus discos e iam aos shows. Falso Brilhante,
levou ao Teatro Bandeirantes mais de 280 mil pessoas em 257 apresentações,
em São Paulo (1975/76). Só Elis era capaz dessas coisas.
Overdose
Em janeiro de 1982, cheia de planos para o novo disco e cantando
melhor que nunca, foi encontrada morta no apartamento onde morava
no bairro nobre dos Jardins, em São Paulo, aos 36 anos. A
causa: overdose de mistura de cocaína com álcool.
O vulcão apagou, mas no dia seguinte os muros do País
amanheceram com uma frase pichada pelos fãs: Elis vive.
VOCÊ
SABIA?
Quando Elis casou-se com Ronaldo Bôscoli, ninguém entendeu.
Eram inimigos. Bôscoli chegou a produzir um show para a cantora
Cláudia com o título Quem tem medo de Elis Regina?
O cronista Carlinhos Oliveira escreveu: "Elis Regina terá
o consolo de saber que a guerra do Vietnã é muito
pior." Numa briga, Elis jogou fora a coleção
completa de Frank Sinatra, ídolo do marido.
PALCO:
· Upa, neguinho (1968)
· Arrastão (1968)
· Madalena (1970)
· Casa no campo (1971)
· Mestre sala dos mares (1974)
· Romaria (1977)
· O bêbado e a equilibrista (1979)
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