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18) Lupicínio Rodrigues
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Quando
Inah, a primeira namorada, brigou com Lupicínio Rodrigues,
ela jurou que se jogaria nos braços do primeiro vagabundo
que encontrasse. Na Festa dos Navegantes (padroeira de Porto Alegre),
um amigo chamou a atenção do compositor: "Olha
lá, Lupi, a tua loura com aquele cara. Faz pouco que ele
saiu da prisão." O trauma rendeu os versos de Nervos
de aço, gravada pelo Rei da Voz, Francisco Alves, em
1941, que tornaria aquele negro gaúcho famoso no Brasil inteiro,
sendo recriada 30 anos depois por Paulinho da Viola: Você
sabe o que é ter um amor, meu senhor/Ter loucura por uma
mulher/e depois encontrar esse amor, meu senhor/nos braços
de um outro qualquer...
Não sou
cantor, não sou compositor, não não sou nada:
sou boêmio." Era assim que se definia Lupicínio,
que entrou para a história da música popular como
o mestre da dor-de-cotovelo. Nasceu em Porto Alegre em 16 de setembro
de 1914. Desde os 14 anos perambulava pelas ruas em busca de amores
e bebidas. E sempre encontrava. As desilusões amorosas ele
transformava em canções que embalaram os porres de
muitos desde as décadas de 30 e 40. Nos cabarés da
Cidade Baixa, bairro onde viviam os descendentes de escravos, ele
era ouvido pelos marinheiros, frequentadores assíduos. Foram
esses viajantes que divulgaram as canções de Lupicínio
no resto do País.
Mulherengo incorrigível,
chegou a levar para um sítio uma prostituta carioca por quem
se apaixonou. Viajou e na volta o caseiro foi lhe pedir desculpas
por ter se deixado seduzir. A tristeza de Lupicínio lhe deu
inspiração para o samba-canção Vingança,
um dos seus maiores sucessos. Por essas e outras é que costumava
dizer: "Prefiro as mulheres más, que me traem e me fazem
sofrer, mas pelo menos me dão inspiração para
os sambas que me fazem ganhar dinheiro." Achava que a maior
prova de fidelidade à esposa Cerenita era voltar toda a noite
para seus braços, após a boemia. A dor-de-cotovelo
ele classificava em três categorias, conforme a intensidade.
A federal acabava em porre, a estadual era suportável e a
municipal não rendia sequer um samba.
Após
um período de esquecimento, que durou dez anos, voltou à
cena musical no início dos anos 70, redescoberto por Paulinho
da Viola, Caetano e Gal Costa. Cantou para "um delirante público
jovem" no Teatro Opinião, segundo registro dos jornais
da época. Morreu devido a problemas cardíacos em 1974,
aos 59 anos, a tempo de ver Felicidade virar sucesso na voz
de Caetano. Antes de morrer, fez um pedido à mulher: "No
meu enterro, quero todo mundo cantando".
VOCÊ
SABIA?
Uma greve de condutores de bonde atrapalha a ida ao jogo do Grêmio.
Sentado à mesa de um bar, Lupicínio compõe
na hora o hino do clube: Até a pé nós iremos/para
o que der e vier/mas o certo é que nós estaremos/com
o Grêmio onde o Grêmio estiver...
PALCO:
· Felicidade (1947)
· Nervos de aço (1947)
· Esses moços (1948)
· Cadeira vazia (1950)
· Vingança (1951)
· Ela disse-me assim (1959)
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