|
17) Cartola
22,34%
dos votos
Grande amigo
de Cartola, o maestro Heitor Villa-Lobos subia no morro para ouvi-lo
cantar e, maravilhado, costumava repetir sempre a mesma frase: "Ai,
isso tá tudo errado, mas tá tão bonito...".
É que o sambista maior da Mangueira impressionava mesmo.
Era um gênio autodidata capaz de fazer músicas e letras
tão sofisticadas que o mais erudito dos compositores gostaria
de fazer. Em mais de 50 anos de carreira, só gravou três
discos, mas a música O sol nascerá já
teve por volta de 600 gravações e As rosas não
falam e Alvorada figuram em qualquer antologia da nossa
música.
Sua imagem se
confunde com a própria Mangueira. Pudera, Agenor de Oliveira
viveu no morro da zona norte do Rio toda a vida e foi um dos fundadores
da escola de samba, em 1929. Boêmio desde a adolescência,
quando não estava trabalhando como pedreiro podia ser encontrado
nas rodas de samba do morro. Na construção civil ganhou
o apelido: "Usava um chapéu de coco para não
voltar para casa cheio de cimento na cabeça, daí o
pessoal começou a chamá-lo de Cartola", lembra
dona Zica, com quem o sambista viveu quase 20 anos.
Depois de ter
suas canções famosas na voz de Francisco Alves, sumiu
do morro em 1948. Foi dado como morto até que, no final dos
anos 50, o cronista Sérgio Porto encontro-o guardando carros
em Ipanema. "A primeira mulher dele morreu e ele quis abandonar
tudo de tanta tristeza", conta dona Zica.
Não ganhou
muito dinheiro em vida, mas o então Estado da Guanabara doou
um terreno na Mangueira para que pudesse realizar um sonho: construir
uma casa verde e rosa, as cores de sua tão querida escola,
onde até hoje é rei. Morreu em 1980, aos 72 anos,
mas deixou uma legião de seguidores.
VOCÊ
SABIA?
No Carnaval dos anos 30, a polícia prendia por vadiagem os
crioulos. Para impressionar os policiais e evitar as prisões,
Cartola pôs terno e gravata nos primeiros foliões que
entravam na avenida. Estava criada a comissão de frente.
PALCO:
· Divina dama (1933)
· Tive sim (1968)
· Acontece (1972)
· As rosas não falam (1973)
· Alegria (1974)
· Alvorada no morro (1974)
|