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O Brasileiro do Século

17) Cartola
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Grande amigo de Cartola, o maestro Heitor Villa-Lobos subia no morro para ouvi-lo cantar e, maravilhado, costumava repetir sempre a mesma frase: "Ai, isso tá tudo errado, mas tá tão bonito...". É que o sambista maior da Mangueira impressionava mesmo. Era um gênio autodidata capaz de fazer músicas e letras tão sofisticadas que o mais erudito dos compositores gostaria de fazer. Em mais de 50 anos de carreira, só gravou três discos, mas a música O sol nascerá já teve por volta de 600 gravações e As rosas não falam e Alvorada figuram em qualquer antologia da nossa música.

Sua imagem se confunde com a própria Mangueira. Pudera, Agenor de Oliveira viveu no morro da zona norte do Rio toda a vida e foi um dos fundadores da escola de samba, em 1929. Boêmio desde a adolescência, quando não estava trabalhando como pedreiro podia ser encontrado nas rodas de samba do morro. Na construção civil ganhou o apelido: "Usava um chapéu de coco para não voltar para casa cheio de cimento na cabeça, daí o pessoal começou a chamá-lo de Cartola", lembra dona Zica, com quem o sambista viveu quase 20 anos.

Depois de ter suas canções famosas na voz de Francisco Alves, sumiu do morro em 1948. Foi dado como morto até que, no final dos anos 50, o cronista Sérgio Porto encontro-o guardando carros em Ipanema. "A primeira mulher dele morreu e ele quis abandonar tudo de tanta tristeza", conta dona Zica.

Não ganhou muito dinheiro em vida, mas o então Estado da Guanabara doou um terreno na Mangueira para que pudesse realizar um sonho: construir uma casa verde e rosa, as cores de sua tão querida escola, onde até hoje é rei. Morreu em 1980, aos 72 anos, mas deixou uma legião de seguidores.

VOCÊ SABIA?
No Carnaval dos anos 30, a polícia prendia por vadiagem os crioulos. Para impressionar os policiais e evitar as prisões, Cartola pôs terno e gravata nos primeiros foliões que entravam na avenida. Estava criada a comissão de frente.

PALCO:
· Divina dama (1933)
· Tive sim (1968)
· Acontece (1972)
· As rosas não falam (1973)
· Alegria (1974)
· Alvorada no morro (1974)