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16) Paulinho da Viola
25,23%
dos votos
"Eu?
Tem certeza? Confirma aí!" Foi esta a reação
de Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, quando
soube que foi eleito pelo leitor de ISTOÉ um dos músicos
brasileiros mais importantes do século. Uma frase que declara
a simplicidade que os fãs conhecem muito bem. "Mas nunca
fiz nada de mais." Fez, sim, Paulinho. Fez Timoneiro,
Dança da solidão, Argumento e outras
tantas músicas que o Brasil, terra do samba, agradece. Aos
56 anos e quase 40 de carreira, gravou 18 discos, um número
modesto porque ele pode se dar o luxo de compor quando bem entende.
"Não me obrigo a compor, só o faço quando
tenho vontade."
Quem vê
o sambista no palco, tranquilo e sereno, não imagina que
seja extrovertido e inquieto. Gosta de falar da infância,
dos grandes sambistas - conhece todos -, dos sete filhos, de futebol
e da relação que tem com o pai, o chorão César
Faria do conjunto Época de Ouro.
Nasceu e morou
muitos anos em Botafogo, bairro carioca de classe média,
onde "tudo era pretexto para uma festa", lembra. O pai
reunia sambistas e chorões em casa que tocavam até
o amanhecer. "Ficava ouvindo e pegava o violão escondido
para fazer igual." Aos oito anos, ouviu o conselho do pai:
"Samba não dá camisa para ninguém."
Mas ainda bem que não levou a sério.
Descobriu que
já estava "bêbado de samba e outros sonhos",
como diz na letra de Bebadosamba, no início dos anos
60. Mas foi em 1969, no Festival de Música Popular Brasileira
da Record, que veio o sucesso, quando ganhou com a música
Sinal fechado. E já no Carnaval de 1970, viveu a maior
emoção de sua vida, quando a Portela aqueceu a bateria
antes do desfile com a música Foi um rio que passou em
minha vida. "Chorei muito quando vi a avenida cantando
minha canção."
Em 1995, lançou
o Bebadosamba, inaugurando a segunda fase de sua carreira.
Hoje vive ao lado da mulher, Lila, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.
Como disse Aldir Blanc na música 50 anos, Paulinho "acolhe
o futuro de braços abertos citando Cartola."
VOCÊ
SABIA?
Em 1969, Paulinho trocou as bolas: inscreveu a música experimental
Sinal fechado no Festival de MPB da Record e o samba Foi
um rio que passou em minha vida na Feira Experimental. Foi vaiado,
mas levou o primeiro lugar nos dois.
PALCO:
· Sinal fechado (1969)
· Coisas do mundo, minha nega (1969)
· Foi um rio que passou em minha vida (1970)
· Dança da solidão (1972)
· Guardei minha viola (1972)
· Argumento (1975)
· Timoneiro (1995)
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