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O Brasileiro do Século

16) Paulinho da Viola
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"Eu? Tem certeza? Confirma aí!" Foi esta a reação de Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, quando soube que foi eleito pelo leitor de ISTOÉ um dos músicos brasileiros mais importantes do século. Uma frase que declara a simplicidade que os fãs conhecem muito bem. "Mas nunca fiz nada de mais." Fez, sim, Paulinho. Fez Timoneiro, Dança da solidão, Argumento e outras tantas músicas que o Brasil, terra do samba, agradece. Aos 56 anos e quase 40 de carreira, gravou 18 discos, um número modesto porque ele pode se dar o luxo de compor quando bem entende. "Não me obrigo a compor, só o faço quando tenho vontade."

Quem vê o sambista no palco, tranquilo e sereno, não imagina que seja extrovertido e inquieto. Gosta de falar da infância, dos grandes sambistas - conhece todos -, dos sete filhos, de futebol e da relação que tem com o pai, o chorão César Faria do conjunto Época de Ouro.

Nasceu e morou muitos anos em Botafogo, bairro carioca de classe média, onde "tudo era pretexto para uma festa", lembra. O pai reunia sambistas e chorões em casa que tocavam até o amanhecer. "Ficava ouvindo e pegava o violão escondido para fazer igual." Aos oito anos, ouviu o conselho do pai: "Samba não dá camisa para ninguém." Mas ainda bem que não levou a sério.

Descobriu que já estava "bêbado de samba e outros sonhos", como diz na letra de Bebadosamba, no início dos anos 60. Mas foi em 1969, no Festival de Música Popular Brasileira da Record, que veio o sucesso, quando ganhou com a música Sinal fechado. E já no Carnaval de 1970, viveu a maior emoção de sua vida, quando a Portela aqueceu a bateria antes do desfile com a música Foi um rio que passou em minha vida. "Chorei muito quando vi a avenida cantando minha canção."

Em 1995, lançou o Bebadosamba, inaugurando a segunda fase de sua carreira. Hoje vive ao lado da mulher, Lila, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Como disse Aldir Blanc na música 50 anos, Paulinho "acolhe o futuro de braços abertos citando Cartola."

VOCÊ SABIA?
Em 1969, Paulinho trocou as bolas: inscreveu a música experimental Sinal fechado no Festival de MPB da Record e o samba Foi um rio que passou em minha vida na Feira Experimental. Foi vaiado, mas levou o primeiro lugar nos dois.

PALCO:
· Sinal fechado (1969)
· Coisas do mundo, minha nega (1969)
· Foi um rio que passou em minha vida (1970)
· Dança da solidão (1972)
· Guardei minha viola (1972)
· Argumento (1975)
· Timoneiro (1995)