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11) Pixinguinha
43,58%
dos votos
Depois
que casou com Jandira Aymoré, em 1927, Alfredo da Rocha Viana
Filho, o Pixinguinha, abriu um botequim na Praia de Ramos, Rio de
Janeiro, onde vendia bebidas, salgadinhos etc. Faliu em poucos meses
porque os amigos boêmios passavam dias bebendo sem pagar.
Em matéria de investimentos ele nunca se deu bem, só
ganhou dinheiro com a música, e mesmo assim nunca economizou.
Mas, se talento enriquecesse, Pixinguinha teria sido o homem mais
rico do Brasil. É considerado por muitos o "pai"
da música popular brasileira e não é exagero
dizer que foi um dos maiores instrumentistas que o País já
teve, tocando flauta ou saxofone. Além disso regeu dezenas
de orquestras e foi o criador do arranjo brasileiro da música
popular.
Neto de escravos
africanos, nasceu numa família onde quase todos eram músicos.
A casa vivia cheia de gente e chegou inclusive a ser chamada de
"Pensão Viana", porque cada mês era um amigo
que chegava pedindo neto para morar. Toda semana, o pai, seu Alfredo,
organizava saraus, para a alegria de Pixinguinha, que se deliciava
ouvindo chorinhos, lundus, maxixes e outros ritmos populares.
Fantasia
de anjo
Quando seu Alfredo mandava o garoto para a cama, ele pegava uma
flauta de folha e passava horas tentando imitar os sons que ouvia
na sala. Não tinha nem dez anos naquela época, mas
já sabia o que queria: ser músico para sempre. E assim
foi. No ano de sua morte, 1973, estava com 74 anos e continuava
compondo.
Começou
a viver de música aos 14 anos, tocando flauta em festas,
bailes e piquenines. Mas, gostava mesmo era de sair na ala dos instrumentistas
dos blocos de Carnaval. Com Vicente Celestino, amigo de colégio,
fazia a dupla mais engraçada da rua. Vicente ia fantasiado
de anjo, cantando e dançando, enquanto Pixinguinha seguia
atrás com a flauta. Dos bailes foi para as casas de chope
e cassinos, onde muitas vezes tocou com o uniforme da escola porque
não tinha tempo de trocar de roupa. Só apareceria
para o grande público nas salas de projeção,
acompanhando os filmes mudos e, mais tarde, na sala de espera do
luxuoso Cine Palais, onde tocou com o grupo Os Oito Batutas.
Os Batutas desafiaram
a sociedade carioca quando surgiram vestidos de sertanejos e tocando
ritmos nacionais - que a aristocracia fingia detestar porque eram
descendentes diretos dos ritmos africanos. Para piorar, a metade
dos integrantes do grupo era negra. A prova do talento destes precursores
veio quando a cidade deixou o preconceito de lado e Pixinguinha
se consagrou como o melhor flautista que o Brasil já viu
tocar. Ir aos shows dos Batutas virou moda no Rio e ninguém
mais entrava na sala de projeção para assistir aos
filmes porque ficar na sala de espera era muito melhor. O grupo
desfez-se em 1923 e, com a chegada por aqui do cinema falado, muitos
instrumentistas ficaram desempregados, menos Pixinguinha. Foi trabalhar
na RCA Victor, indústria fonográfica que surgiu com
toda a força nos anos 20, onde regia orquestras e arranjava
discos.
Rodas de
choro
O talento era intuitivo e quando pensava em estudar música
os amigos logo o desencorajavam. Donga chegou a dizer que se Pixinguinha
aprendesse teoria musical nunca mais seria o mesmo. Em 1933, prestou
o vestibular para a Faculdade de Música da Universidade Federal
do Rio de Janeiro, mas desistiu nas últimas provas.
Era magistral
em tudo o que fazia. E exigente. Nos anos 40, trocou a flauta pelo
saxofone porque achava que não tocava mais como antes. Passou
a se interessar pelo jazz, mas continuou senhor absoluto nas rodas
de choro. Com o flautista Benedito Lacerda gravou 34 chorinhos em
apenas cinco anos e todas as composições eram suas.
Nunca foi de
muita farra, mas não dispensava sua cachacinha de todos os
dias. Chegou a ser marca de uma: Cachaça Pixinguinha. O desenho
do rótulo era uma caricatura malfeita que em nada lembrava
o músico. Mesmo assim, ele adorou a homenagem. Dava alguns
sustos em dona Jandira quando exagerava nos goles e ia parar no
hospital.
Dores no
peito
Porém, o maior susto foi ela quem deu nele, quando, depois
de 45 anos de casamento, em 1972, caiu doente e precisou ser internada.
Pixinguinha sentiu dores no peito alguns meses depois e deu entrada
no mesmo hospital, mas ela nunca soube disso. Quando era dia de
visita, ele trocava a roupa hospitalar pelo terno e subia alguns
andares para vê-la.
A morte da mulher
mudou a vida de Pixinguinha, que se transformou num homem triste
e solitário. Morreu seis meses depois, em janeiro de 1973,
na sacristia de uma igreja quando esperava para ser padrinho de
batismo do filho de um amigo. Deixou obras-primas como o chorinho
Carinhoso, um clássico da música brasileira que já
foi gravado centenas de vezes.
VOCÊ
SABIA?
Caminhando no Rio de Janeiro, Pixinguinha foi abordado por três
ladrões, que o reconheceram e desistiram do assalto. Feliz,
perguntou se eles não queriam tomar uma cerveja. E então
beberam a noite toda. Na despedida, o músico lembrou: "Querem
algum para a passagem?"
PALCO:
· Samba de Nego (1927)
· Carinhoso (1928)
· Teus crimes (1928)
· Mulher boêmia (1928)
· Aguenta, seu Fulgêncio (1930)
· Urubu e o gavião (1930)
· Página de dor (1930)
· Rosa (data desconhecida)
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