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O Brasileiro do Século

EDITORIAL
Todos os sons

Estamos publicando a biografia dos 20 músicos do século. Esse é o segundo fascículo do projeto O Brasileiro do Século, que começou com a eleição do esportista mais destacado. Convém lembrar que a indicação dos vencedores obedece a um rigoroso processo. Primeiro, um júri de 30 personalidades indica 30 destaques. A partir dessa lista, o leitor é convocado a escolher os premiados, indicando sua preferência numa cédula encartada em ISTOÉ.

Se a escolha do esportista do século foi polêmica porque ficou polarizada entre Ayrton Senna e Pelé (com a vitória de Senna), o prêmio da Música, certamente, causará muita discussão por razão oposta: o excessivo número de candidatos. Como explicar o fato de Chiquinha Gonzaga e Carmem Miranda ocuparem as duas últimas posições desse seleto grupo, se não pela juventude do eleitorado? No mesmo caso se enquadram Cartola (representando a nobreza do samba dos morros cariocas) e Lupicínio Rodrigues (o mestre da canção da dor-de-cotovelo). É de se louvar o reconhecimento a Villa-Lobos, um erudito que ganhou um lugar merecido na memória popular.

Entre os contemporâneos, a briga foi acirrada. Na apuração dos votos que chegavam à redação de ISTOÉ, o primeiro lugar foi ocupado sucessivamente por Chico Buarque, Tom Jobim e Roberto Carlos, entre outros, indicando que o resultado final seria apertadíssimo. O leitor, ao final, escolheu Chico, com 76,48% dos votos. Se a soma dos percentuais de todos os indicados é superior a 100, a explicação é simples: cada cédula tinha dez nomes assinalados, e não apenas um. Chico Buarque recebeu o voto de 76,48% dos leitores e muitos (a maioria) deles também votou em Tom Jobim, por exemplo, que abocanhou 73,78% das indicações.