|
20) Darcy Ribeiro
16,79%
dos votos
Aos sete anos, em Montes Claros (MG), cidade onde nasceu, Darcy
Ribeiro pôs em prática sua principal receita para driblar
as agruras do destino, a mesma que seguiu à risca durante
toda a vida: namorar. Foi numa missa de sétimo dia que o
garoto sentiu-se atraído por Juju, menina que acabara de
perder a avó. Quando a viu seguir para a comunhão,
Darcy não vacilou e, para se aproximar dela, cumpriu o ritual
religioso. Ajoelhou-se e comungou ao lado da amada, sem nunca ter
frequentado o catecismo. O resultado do galanteio foi uma dolorosa
surra da mãe, a professora primária Fininha, e um
zangado sermão do padre.
Contudo, Darcy
também pôde viver dias de glória. Durante a
Revolução de 30, a propriedade de sua família
foi invadida por tropas que apoiavam Getúlio Vargas. Todos
foram obrigados a se alojar no mato. Darcy precisava driblar os
soldado, passando entre eles sem ser percebido para dar água
e milho às galinhas da fazenda. Cumpriu a missão com
maestria e foi considerado o herói da família.
Darcy Ribeiro
(1922-1997), além de romancista, foi antropólogo e,
de 1946 a 1954, atuou nas aldeias indígenas do Pantanal e
da Amazônia. Um dos políticos brasileiros mais importantes
do século, em 1961, foi ministro da Educação
e chefe da Casa Civil (1962 a 1964) do governo João Goulart.
Em seguida, os militares tomaram o poder e cassaram seus direitos
políticos. Darcy pediu asilo ao Uruguai e perambulou pela
Europa e América Latina, pregando a revolução
através da educação. Quando veio a anistia,
no final dos anos 70, foi um dos fundadores do PDT de Leonel Brizola
e elegeu-se vice-governador do Rio (1983 a 1987). Em 1990, ganhou
uma cadeira no Senado.
Paciente
fujão
Nos anos 60, já havia sobrevivido a um câncer de pulmão,
mas em 1997 foi vencido por um tumor na próstata. Custou,
no entanto, a se entregar. Fugiu da UTI quando o médico recusou-se
a lhe dar alta para poder concluir uma de suas mais importantes
obras, O povo brasileiro, que havia iniciado há 30
anos.
VOCÊ
SABIA?
Ao viajar, esqueceu no apartamento do Rio um galo que trouxera para
cozinhar ao molho pardo. Como os vizinhos adoraram o clima bucólico
do cocorocó, ele deixou o galo morar na varanda defronte
ao mar.
OBRA-PRIMA:
· A política indigenista do Brasil (1962)
· O processo civilizatório (1968)
· Os índios e a civilização (1986)
· As Américas e a civilização (1988)
· O povo brasileiro (1994)
|