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O Brasileiro do Século

20) Darcy Ribeiro
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Aos sete anos, em Montes Claros (MG), cidade onde nasceu, Darcy Ribeiro pôs em prática sua principal receita para driblar as agruras do destino, a mesma que seguiu à risca durante toda a vida: namorar. Foi numa missa de sétimo dia que o garoto sentiu-se atraído por Juju, menina que acabara de perder a avó. Quando a viu seguir para a comunhão, Darcy não vacilou e, para se aproximar dela, cumpriu o ritual religioso. Ajoelhou-se e comungou ao lado da amada, sem nunca ter frequentado o catecismo. O resultado do galanteio foi uma dolorosa surra da mãe, a professora primária Fininha, e um zangado sermão do padre.

Contudo, Darcy também pôde viver dias de glória. Durante a Revolução de 30, a propriedade de sua família foi invadida por tropas que apoiavam Getúlio Vargas. Todos foram obrigados a se alojar no mato. Darcy precisava driblar os soldado, passando entre eles sem ser percebido para dar água e milho às galinhas da fazenda. Cumpriu a missão com maestria e foi considerado o herói da família.

Darcy Ribeiro (1922-1997), além de romancista, foi antropólogo e, de 1946 a 1954, atuou nas aldeias indígenas do Pantanal e da Amazônia. Um dos políticos brasileiros mais importantes do século, em 1961, foi ministro da Educação e chefe da Casa Civil (1962 a 1964) do governo João Goulart. Em seguida, os militares tomaram o poder e cassaram seus direitos políticos. Darcy pediu asilo ao Uruguai e perambulou pela Europa e América Latina, pregando a revolução através da educação. Quando veio a anistia, no final dos anos 70, foi um dos fundadores do PDT de Leonel Brizola e elegeu-se vice-governador do Rio (1983 a 1987). Em 1990, ganhou uma cadeira no Senado.

Paciente fujão
Nos anos 60, já havia sobrevivido a um câncer de pulmão, mas em 1997 foi vencido por um tumor na próstata. Custou, no entanto, a se entregar. Fugiu da UTI quando o médico recusou-se a lhe dar alta para poder concluir uma de suas mais importantes obras, O povo brasileiro, que havia iniciado há 30 anos.

VOCÊ SABIA?
Ao viajar, esqueceu no apartamento do Rio um galo que trouxera para cozinhar ao molho pardo. Como os vizinhos adoraram o clima bucólico do cocorocó, ele deixou o galo morar na varanda defronte ao mar.

OBRA-PRIMA:
· A política indigenista do Brasil (1962)
· O processo civilizatório (1968)
· Os índios e a civilização (1986)
· As Américas e a civilização (1988)
· O povo brasileiro (1994)