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19) Mário Quintana
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O poeta Mário Quintana morou quase toda a vida em hotéis
e pensões. Junto à cama, guardava uma garrafa térmica
com café. Na penteadeira, maços de cigarros. "Eu
só acendo. Eles é que se fumam." Num canto, a
escultura de mulher que ele batizou de Glória tinha caráter
utilitário: ali pendurava a boina preta, o cachecol e o guarda-chuva.
A foto de um menino ao lado de um vira-lata - "O da direita
sou eu", explicava ao visitante - e um enorme pôster
de Greta Garbo enfeitava o endereço "provisório"
do poeta, que atravessava a noite ouvindo a 4ª Sinfonia de
Mahler ou assistindo a filmes de vampiro na sessão Coruja
da tevê. "Dizem que sou bom de cama, porque acordo sempre
depois do meio-dia..."
Anjo disfarçado
Travesso, irônico, terno, era um "anjo disfarçado
de homem", segundo Erico Verissimo. É de Quintana um
dos antídotos mais brilhantes para a patrulha ideológica:
"Eu nada entendo da questão social/eu faço parte
dela, simplesmente." Escreveu no Correio do Povo quase
40 anos. Um dia, um diretor do jornal fez um elogio: "Gostei
muito dos seus versinhos." Quintana respondeu de pronto: "Obrigado
por sua opiniãozinha." Nunca casou. "Prefiro ser
a esperança de muitas do que a desilusão de uma só."
Morreu a 5 de março de 1994, aos 87 anos, de pneumonia. "Enquanto
me davam a extrema unção/eu estava distraído...
Ah, essa mania incorrigível de estar sempre pensando noutra
coisa!"
VOCÊ
SABIA?
Na cama do hospital, após quebrar o fêmur ao ser atropelado,
perguntou: "Anotaram a placa?" Explicaram que o atropelador
o havia socorrido e estava identificado. "Vocês não
estão entendendo. Quero saber a placa para jogar no bicho!"
OBRA-PRIMA:
· A rua dos cataventos (1940)
· O aprendiz de feiticeiro (1950)
· Pé de pilão (1975)
· Apontamentos de história sobrenatural (1976)
· Quintanares (1976)
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