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18) Gilberto Freyre
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Por vontade própria, aos oito anos de idade, Gilberto Freyre
ainda não havia se alfabetizado, para desespero de sua aristocrática
família nordestina. "Eu fiz finca-pé em não
me alfabetizar porque reconhecia em mim um talento para pintar e
desenhar. Meus pais achavam que eu era retardado mental", contou
o sociólogo. Até que um professor de inglês
analisou seus desenhos e avaliou que o garoto era muito inteligente.
Ganhou, enfim, a confiança do moleque e o resultado é
que ele acabou sendo alfabetizado primeiro em inglês e só
depois em português.
Natural do Recife
(PE), Freyre nasceu a 15 de março de 1900. Suas idéias
a respeito da miscigenação de raças (é
considerado o pai da alma mestiça), realçando a contribuição
do escravo na formação cultural do Brasil, lhe valeram
o rótulo de polêmico. Embora muitos elogiem sua originalidade,
Freyre foi acusado de defender certa acomodação dos
conflitos sociais. Cientista social, escritor e deputado na Constituinte
de 1946, Freyre deixou 63 livros, incluindo Casa grande e senzala
(1933), até hoje considerado um dos retratos mais exuberantes
da formação étnica do Brasil. Morreu a 18 de
julho de 1987. "Ele seduzia pela originalidade e o estilo saboroso
com que defendia suas idéias", contou a ISTOÉ
o advogado Edson Nery da Fonseca, 77 anos, amigo do sociólogo
desde a década de 20. Freyre se casou, aos 41 anos, com a
nadadora Madalena, 20 anos mais jovem. "Temia que, na noite
de núpcias, ela o tratasse como pai. Para seu espanto, ela
o chamou de 'meu filho'", diz Fonseca.
VOCÊ
SABIA?
Nunca manuseou aparelhos eletrônicos. Não sabia ligar
sequer uma televisão. Todas as obras foram escritas a bico-de-pena,
como o mais extenso de seus livros, Ordem e progresso, de
793 páginas.
OBRA-PRIMA:
· Casa grande e senzala (1933)
· Sobrados e mocambos (1936)
· Açúcar (1939)
· Uma cultura ameaçada: a luso-brasileira (1940)
· Ordem e progresso (1959)
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