|
17) José Lins do Rego
20,88%
dos votos
Nem só crônicas e romances escrevia José Lins
do Rego. O escritor paraibano dedicava grande parte de seu tempo
respondendo as cartas dos amigos, na maioria comunistas de carteirinha.
Rego se filiara ao Integralismo, a versão tropical do fascismo
que arrastava milhares de nacionalistas exacerbados na década
de 30. Tentava se livrar da pecha de ultradireitista, dizendo que
havia entrado no movimento por pensar que se tratava de uma postura
nacionalista, mas estava arrependido. Os amigos respondiam que integralista
era como mulher perdida, depois que caía na vida, não
limpava o nome nunca mais. De fato, a cada correspondência,
a cada piada, o falador e expansivo Zé Lins reafirmava: "Está
bem, confesso que errei." Mas nunca se livrou da fama.
Idéias
nacionalistas
Lins do Rego é um dos principais representantes da corrente
regionalista da literatura brasileira. Nasceu em Engenho Corredor,
na Paraíba, a 3 de julho de 1901. Os primeiros escritos datam
de sua época de estudante de Direito. Eram contos e artigos
que versavam, quase sempre, sobre política. Em 1923, quando
se formou, conheceu Gilberto Freyre, recém-chegado da Europa,
cheio de idéias nacionalistas. "De lá para cá,
minha vida foi outra, foram outras as minhas preocupações,
outros os meus planos e leituras", disse Lins do Rego.
Menino de
engenho (1932), obra capital do romance nordestino, foi recusada
por diversos editores e acabou sendo publicada à custa do
próprio autor, obtendo sucesso de crítica e esgotando-se
logo na primeira edição. Acima de tudo um memorialista,
o escritor paraibano foi capaz de recriar o mundo de sua infância
e retornar às suas origens, quando viveu nos engenhos de
açúcar, cercado de cangaceiros, beatos, meninos pobres
e velhos coronéis. Em seus livros, Lins do Rego conseguiu
dar dimensão épica aos personagens de sua infância.
Nomeado promotor
público, se transferiu primeiro para Manhançu (MG).
Escreveu os primeiros livros em Maceió (AL), para onde se
mudou em 1926. Dez anos mais tarde, radicou-se no Rio de Janeiro,
onde se estabeleceu em definitivo. Na antiga capital, participou
ativamente das rodas literárias. Dos papos de bar surgiu
a idéia de elaborar um livro curioso. Proposto pelo escritor
Anibal Machado, a trama seria escrita a dez mãos, incluindo
as de Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos, além
do próprio Lins do Rego. Cada um ficava encarregado de escrever
um capítulo, encrencando a história para o companheiro
encarregado da continuação. A certa altura, decidiram
matar todos os personagens e dar um ponto final à obra. Lins
do Rego morreu de câncer em setembro de 1957.
VOCÊ
SABIA?
Foi o primeiro a quebrar as regras na ABL, em 1955. Em vez de elogiar
o antecessor, como de costume, disse que Ataulfo de Paiva não
poderia ter ocupado a cadeira por faltar-lhe vocação.
OBRA-PRIMA:
· Menino de engenho (1932)
· Banguê (1934)
· Moleque Ricardo (1935)
· Riacho doce (1939)
· Fogo morto (1943)
· Cangaceiros (1953)
|