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7) Marechal Cândido Rondon
41,3%
dos votos
O ano de 1958 no Brasil ficou marcado pelas delirantes explosões
de alegria graças à conquista do primeiro título
mundial de futebol. Mas havia começado triste, com verdadeira
comoção nacional: a morte do marechal Cândido
Mariano da Silva Rondon, o militar que desbravou as fronteiras do
cerrado e da Amazônia, no início do século,
tratando com dignidade e respeito nossos índios. Poucos brasileiros
reuniram tantas personalidades em seu funeral. O presidente Juscelino
Kubitschek teve de pedir licença a um índio debruçado
em lágrimas para poder se aproximar do corpo. Seu caixão
foi carregado por Eurico Gaspar Dutra, que governara o País
entre 1945 e 1950, e pelo ministro da Guerra, Henrique Teixeira
Lott, seguido de imensa multidão.
Descendente
de índio
Tanta reverência se justifica: Rondon foi um militar que alcançou
grande popularidade justamente pelo fato de se destacar não
em batalhas sangrentas, mas por seus princípios pacifistas.
Era forte candidato ao Prêmio Nobel da Paz quando morreu,
aos 94 anos. "Ele nos deu a liberdade para traçar uma
nova política indigenista. Foi quando percebemos que era
preciso estar ao lado dos índios e foi o que fizemos",
disse a ISTOÉ o sertanista Orlando Villas Bôas. "Morrer
se necessário for, matar jamais" era o seu lema. Em
1910, criou o Serviço de Proteção aos Índios,
que deu origem à Funai. A ligação com as nações
indígenas tinha raízes hereditárias. Os pais
do marechal eram descendentes de tupiniquins e guaianás.
Rondon nasceu
a 5 de maio de 1865, em Mimoso, em Mato Grosso, e passou a infância
nos alagadiços do rio Cuiabá. Não chegou a
conhecer o pai, que morreu quando ainda estava na barriga da mãe.
Foi criado por um tio e, quando completou sete anos, o avô
o chamou para ajudá-lo a cuidar do gado.
Vaquinha
para enterro
Aos 18 anos, ele se afastou das vaquejadas para estudar na Escola
Militar da Urca, no Rio de Janeiro. Estranhou as refeições
servidas aos cadetes, apenas arroz, feijão e carne-seca.
Era pouca vitamina para quem tinha sido criado com muita couve,
almeirão e frutas a escolher. Em 1885, dirigindo-se a uma
aula de Benjamin Constant - sua referência ética e
intelectual pela vida inteira - desmaiou antes de entrar na classe.
Estava fraco a ponto de os colegas fazerem uma vaquinha para o enterro.
Quando despertou, pediu um abacaxi e começou a melhorar.
Com uma dieta de frutas, recuperou-se totalmente.
Depois de protestar
contra injustiças na avaliação de suas notas,
foi preso por alguns dias. Foi, entretanto, um incidente isolado.
Em 1886, foi promovido a alferes-aluno, distinção
dada aos melhores estudantes, e encaminhado à Escola Superior
de Guerra. Em 1890, formou-se bacharel em Matemática, Ciências
Físicas e Naturais, chegou a lecionar Astronomia e Mecânica,
mas suas pernas pediam estrada, muita estrada. A chance apareceu
quando foi chamado a participar das expedições de
construção de linhas telegráficas.
Começava
aí sua grande marcha para desbravar o interior brasileiro.
O marechal - posto que alcançou em 1955 - passou meio século
nas selvas, e o espaço territorial que percorreu corresponde
ao da França - no total, foram cerca de 70 mil quilômetros.
Acompanhou o presidente americano Theodore Roosevelt, em 1913, em
expedição à Amazônia. Em 1917, Roquete
Pinto, diretor do Museu Nacional, em sua homenagem, propôs
a designação de Rondônia ao território,
hoje convertido em Estado, no Noroeste do País. Em suas andanças,
Rondon recolheu lições de civilidade que passou a
seus discípulos. "Dizia que era a favor da paz e contra
o serviço militar obrigatório. Para ele, obrigatório
era dar educação a todos", recorda Villas Bôas.
VOCÊ
SABIA?
A disciplina militar dos quartéis do Rio de Janeiro parecia
desnecessária para Rondon. Sempre acordava duas horas antes
do corneteiro e, no verão, ainda no escuro da madrugada,
costumava dar um mergulho solitário na perigosa Praia Vermelha.
Às seis da manhã, quando os soldados despertavam,
já estava fardado lendo alguma coisa à luz de velas
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