|
20) Rodrigues Alves
17,4%
dos votos
Rodrigues Alves tinha uma frase que ilustrava bem seu estilo de
governar: "Os meus ministros fazem tudo o que querem, menos
o que eu não quero que eles façam." De feitio
reservado, discreto, e às vezes até taciturno, foi
um dos políticos mais importantes da República Velha,
elegendo-se duas vezes para a Presidência da República
- o segundo mandato, entretanto, não cumpriu. Morreu em 1919,
antes de tomar posse. Durante muito tempo, sua morte foi atribuída
à gripe espanhola, mas ele foi vítima de leucemia,
segundo Maria Aparecida Couppe Schmidt, diretora do Museu Rodrigues
Alves, de Guaratinguetá. "Era um governante que mantinha
a ordem acima de tudo. Trouxe ao País uma era de progresso
que até então não havia sido registrada",
afirmou a ISTOÉ Francisco de Paula Rodrigues Alves, neto
do presidente.
Paulista de
Guaratinguetá, Francisco de Paula Rodrigues Alves nasceu
a 7 de julho de 1848. O pai, fazendeiro e comerciante, o enviou
para o Imperial Colégio Dom Pedro II, no Rio Janeiro, quando
ele tinha 11 anos. Na Faculdade de Direito em São Paulo,
onde ingressou em 1866, foi contemporâneo de Rui Barbosa,
Castro Alves, Joaquim Nabuco e Afonso Pena.
Formou-se em
1870 e passou a redigir artigos para a revista A Opinião
Conservadora. Sua retórica era tão admirada que,
ao terminar a Guerra do Paraguai, foi encarregado de discursar aos
soldados que voltavam para casa. Iniciou a carreira política
propriamente dita, aos 24 anos, elegendo-se deputado provincial
pelo Partido Conservador. Um dos principais projetos que Rodrigues
Alves apresentou nessa época foi o da obrigatoriedade do
ensino primário na província. Na ocasião, muitos
consideraram a medida uma agressão à liberdade e aos
direitos da família.
Em 1885, tornou-se
deputado-geral (corresponderia hoje a uma vaga na Câmara Federal).
Dois anos depois, foi nomeado presidente de São Paulo. Com
a proclamação da República, em 1889, voltou
a Guaratinguetá. Mas, já no ano seguinte, retornou
à vida pública, elegendo-se constituinte. Em 1891,
em meio à crise da renúncia do presidente Deodoro
da Fonseca, Floriano Peixoto assumiu o poder e convidou Rodrigues
Alves para ser ministro da Fazenda. Ocuparia o mesmo cargo, novamente,
em 1894, no governo de Prudente de Morais. Governou São Paulo
mais uma vez e abriu espaço para candidatar-se à Presidência,
em 1902.
Revolta da
vacina
Durante seu governo, erradicou a febre amarela, graças ao
auxílio do sanitarista Oswaldo Cruz. Em 1904, provocou a
ira da população ao assinar a Lei da Vacina Obrigatória
contra a varíola. O mandato foi marcado ainda por grandes
obras, como a remodelação urbana do Rio de Janeiro,
a construção do porto e a abertura da avenida Central,
a maior do País na época, hoje avenida Rio Branco.
VOCÊ
SABIA?
Era tão obcecado por política que, no leito de morte,
deu instruções sobre a garantia da ordem pública
ao filho. Ainda fez comentários sobre a situação
nacional ao padre que veio dar a extrema-unção.
|