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19) Campos Sales
17,7%
dos votos
Cem anos atrás, o Brasil passava por uma situação
econômica parecida à de hoje: a dívida externa
chegava a níveis insuportáveis e as despesas do governo
eram o dobro da receita. Para agravar a crise, a inflação
atingia índices jamais vistos e o preço do café
- nosso principal produto de exportação - caía
ladeira abaixo. Eleito presidente da República em 1898, Campos
Sales nem esperou tomar posse para consertar o estrago feito pelos
governos anteriores.
Fez uma peregrinação
pelas capitais financeiras da Europa e acertou um acordo batizado
de funding loan, pelo qual recebia um generoso empréstimo
e negociava prazo maior para o pagamento da dívida. Ele governou
o País com estilo severo. Os impostos foram aumentados e
os gastos públicos sofreram reduções drásticas.
Empresas faliram, a imprensa o atacava, estudantes e operários
se revezavam em manifestações de oposição.
Evidentemente, não conseguiu eleger seu sucessor. Mas deixou
um exemplo de como restaurar o crédito internacional, sanear
as finanças do Estado e reduzir a inflação
a índices desprezíveis.
Paulista nascido
a 13 de fevereiro de 1841, em Campinas, Manuel Ferraz de Campos
Sales é um típico caso de iniciação
precoce na vida política. De rica família de fazendeiros,
rapazote ele já suscitava polêmicas em artigos no jornal
A Razão, identificado com a escola liberal. Ainda
estudante de Direito, elegeu-se para a Assembléia Provincial
em 1867. A ligação com o Partido Republicano era cada
vez mais forte, e foi por essa legenda que chegou a deputado geral
em 1885. Com a proclamação da República, em
1889, ele se tornou ministro da Justiça do governo provisório
do Marechal Deodoro da Fonseca. Em 1891, pediu demissão por
convicções democráticas. O marechal desrespeitou
um decreto que restituíra a liberdade de imprensa e mandou
fechar um jornal monarquista. Campos Sales protestou entregando
o cargo. Não chegou a perder força política,
já que assumiu o governo de São Paulo em seguida.
Debaixo de
vaias
Era um homem elegante e de boas maneiras. Conquistou em seu governo
avanços também na demarcação de nossas
fronteiras, quando o Barão do Rio Branco definiu a anexação
do Amapá. No auge da impopularidade, em seu último
dia no cargo, em 1902, retornou a São Paulo vaiado durante
todo o percurso. Depois quiseram trazê-lo de volta à
Presidência. Mas estava velho e doente, morrendo pouco depois,
a 28 de junho de 1913. Pelo menos a história tratou de fazer
justiça com sua memória.
VOCÊ
SABIA?
Foi um dos principais articuladores da "política dos
governadores". Pelo acordo, o governo central fazia vista grossa
às fraudes nas eleições parlamentares, beneficiando
assim os protegidos dos governadores. Em troca, o Congresso dava
carta-branca para o presidente aprovar o que bem entendesse.
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