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O Brasileiro do Século

19) Campos Sales
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Cem anos atrás, o Brasil passava por uma situação econômica parecida à de hoje: a dívida externa chegava a níveis insuportáveis e as despesas do governo eram o dobro da receita. Para agravar a crise, a inflação atingia índices jamais vistos e o preço do café - nosso principal produto de exportação - caía ladeira abaixo. Eleito presidente da República em 1898, Campos Sales nem esperou tomar posse para consertar o estrago feito pelos governos anteriores.

Fez uma peregrinação pelas capitais financeiras da Europa e acertou um acordo batizado de funding loan, pelo qual recebia um generoso empréstimo e negociava prazo maior para o pagamento da dívida. Ele governou o País com estilo severo. Os impostos foram aumentados e os gastos públicos sofreram reduções drásticas. Empresas faliram, a imprensa o atacava, estudantes e operários se revezavam em manifestações de oposição. Evidentemente, não conseguiu eleger seu sucessor. Mas deixou um exemplo de como restaurar o crédito internacional, sanear as finanças do Estado e reduzir a inflação a índices desprezíveis.

Paulista nascido a 13 de fevereiro de 1841, em Campinas, Manuel Ferraz de Campos Sales é um típico caso de iniciação precoce na vida política. De rica família de fazendeiros, rapazote ele já suscitava polêmicas em artigos no jornal A Razão, identificado com a escola liberal. Ainda estudante de Direito, elegeu-se para a Assembléia Provincial em 1867. A ligação com o Partido Republicano era cada vez mais forte, e foi por essa legenda que chegou a deputado geral em 1885. Com a proclamação da República, em 1889, ele se tornou ministro da Justiça do governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca. Em 1891, pediu demissão por convicções democráticas. O marechal desrespeitou um decreto que restituíra a liberdade de imprensa e mandou fechar um jornal monarquista. Campos Sales protestou entregando o cargo. Não chegou a perder força política, já que assumiu o governo de São Paulo em seguida.

Debaixo de vaias
Era um homem elegante e de boas maneiras. Conquistou em seu governo avanços também na demarcação de nossas fronteiras, quando o Barão do Rio Branco definiu a anexação do Amapá. No auge da impopularidade, em seu último dia no cargo, em 1902, retornou a São Paulo vaiado durante todo o percurso. Depois quiseram trazê-lo de volta à Presidência. Mas estava velho e doente, morrendo pouco depois, a 28 de junho de 1913. Pelo menos a história tratou de fazer justiça com sua memória.

VOCÊ SABIA?
Foi um dos principais articuladores da "política dos governadores". Pelo acordo, o governo central fazia vista grossa às fraudes nas eleições parlamentares, beneficiando assim os protegidos dos governadores. Em troca, o Congresso dava carta-branca para o presidente aprovar o que bem entendesse.