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O Brasileiro do Século

18) Oswaldo Aranha
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Um conselho Oswaldo Aranha guardava aos mais jovens, indecisos quanto ao rumo que deveriam tomar: "Meu filho, segue a tua inspiração." Figura romântica da primeira metade do século, ele não fez outra coisa na vida senão correr atrás de suas intuições. Era dado a lampejos. Quando estourou a Revolução de 1930, da qual foi um dos principais articuladores, reuniu um grupo de deputados gaúchos e, com a ajuda da guarda municipal, decidiu tomar de assalto um quartel no centro de Porto Alegre. Tirou o revólver da cintura e gritou: "Atacar!" Um sentinela foi desarmado e um coronel, que tentou resistir, tombou morto no elevador.

Nascido no Alegrete (RS), a 15 de fevereiro de 1894, Oswaldo Euclydes de Souza Aranha entrou para a História como o presidente da Assembléia Geral da ONU que deliberou pela cria-ção do estado de Israel, em 1947. Criado na fazenda Alto Uruguai, em Itaqui, aos 13 anos, ingressou no Colégio Militar no Rio de Janeiro. Na antiga capital federal, formou-se em Direito, em 1916. Durante seis meses, estudou Direito Internacional na Universidade de Sorbonne, em Paris. Em 1923, tinha uma banca de advocacia em Itaqui quando resolveu pegar em armas para defender o governo do caudilho Borges de Medeiros, presidente do Estado. Ferido numa perna, foi transportado numa carreta sob ameaça de gangrena até um hospital.

Em 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas, ele assumiu o Ministério da Justiça. "Ele foi a alma da revolução. Um elegante senso cívico o guiava", disse a ISTOÉ o filho Euclydes. Em 1931, transferiu-se para a pasta da Fazenda e, em 1933, tornou-se líder do governo na Constituinte. No ano seguinte, seguiu para Washington como embaixador brasileiro nos Estados Unidos. Foi o principal arquiteto das alianças comerciais com os americanos. Usava as boas relações de Getúlio com os alemães nazistas para barganhar apoio financeiro dos Estados Unidos ao projeto da Companhia Siderúrgica Nacional.

Improvisos
Após a queda de Getúlio, seu prestígio não diminuiu. Homem de diálogo eficiente, os improvisos de Aranha eram famosos. O presidente Eurico Gaspar Dutra o nomeou chefe da missão brasileira na ONU, em 1947. No segundo governo de Getúlio, voltaria ao Ministério da Fazenda, em 1953. Morreria a 27 de janeiro de 1960, aos 66 anos, no Rio. "Se não houvesse Oswaldo Aranha, não haveria Getúlio Vargas", afirma o filho Euclydes.

VOCÊ SABIA?
Ao voltar de Portugal, prestou atenção num vaso de violetas que servia de enfeite no navio. Pouco depois, o barco quase foi a pique ao chocar-se com outro. Oswaldo Aranha passou a considerar as violetas um "mau presságio". Quando avistava um ramalhete, preparava-se para o pior.