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16) Brigadeiro Eduardo Gomes
19,9%
dos votos
Ele enfrentou a tiros as tropas do presidente Epitácio Pessoa
na praia de Copacabana, em 1922, no Levante dos 18 do Forte - a
primeira insurreição armada contra a política
viciada por fraudes eleitorais da República Velha. O brigadeiro
Eduardo Gomes transformou-se numa legenda de heroísmo das
Forças Armadas. "Não conheci ninguém mais
democrata", afirmou a ISTOÉ o brigadeiro Otávio
Moreira Lima, diretor do Instituto Histórico-Cultural da
Aeronáutica.
Carioca nascido
a 20 de setembro de 1896, filho de um ex-militar da Marinha, Gomes
teve uma infância pobre. Venceu muitas adversidades para ingressar
na Escola Militar de Realengo. O jovem tenente se entusiasmou com
o engajamento político dos quartéis no início
do século. Na década de 20, o movimento que ficou
conhecido como "tenentismo" já antecipava mudanças
na vida política do País, que acabariam se consolidando
com a revolução de 1930.
Quando participou
do Levante dos 18 do Forte, em 1922, Gomes tinha 26 anos. Foi preso
e fugiu para Mato Grosso, onde trabalhou como professor com identidade
falsa. Com a posse de Getúlio Vargas e a promoção
dos oficiais rebeldes, em 1930, Gomes passou a major e liderou a
criação do Correio Aéreo Militar, precursor
do Correio Aéreo Nacional. "Todos os tenentes tiveram
postos altos na República, após a revolução
de 1930, mas Gomes preferiu não abandonar a Aeronáutica",
lembra Moreira Lima. Em 1935, como comandante do I Regimento da
Aviação, participou da repressão à Intentona
Comunista. Foi depois deslocado para o litoral do Nordeste, onde
ajudou as forças americanas a patrulharem a área diante
da ameaça dos submarinos alemães na Segunda Guerra
Mundial. Em 1944, foi promovido a brigadeiro.
Quando acabou
o Estado Novo, entretanto, Gomes estava na oposição
ao getulismo. Foi candidato da UDN na eleição presidencial
de 1945 e perdeu para o também militar Gaspar Dutra, apoiado
por Getúlio. Em 1950, Gomes concorreu de novo, desta feita
contra o próprio Getúlio, sendo derrotado mais uma
vez. Em 1954, o presidente Café Filho o chamou para o Ministério
da Aeronáutica. Voltaria ao cargo em 1964, com o golpe militar
que derrubou João Goulart. Desta vez, ficaria no Ministério
durante três anos no governo de Castello Branco.
Caridade
Contrário ao prolongamento do regime de exceção,
ele se afastou da política. Gomes recolheu-se a seu apartamento,
na praia do Flamengo. Antes de morrer, em junho de 1981, tornou-se
público um de seus maiores segredos: o brigadeiro havia doado,
durante vários anos, grande parte de seu salário a
instituições carentes que acolhem crianças
abandonadas.
VOCÊ
SABIA?
Católico fervoroso, Gomes não passava um dia sequer
sem ir à missa. Mesmo nas viagens longas, como ao interior
do Tocantins ou às regiões à beira do rio Araguaia,
antes de o sol nascer, acordava os comandados e saía a procurar
uma capela. "Não podemos deixar de rezar", dizia.
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