|
15) Teotônio Vilela
21,8%
dos votos
Ligado quase toda a vida a partidos de direita, Teotônio Vilela
estreou no MDB - de oposição ao regime militar -,
em 1979, com a missão de presidir a comissão parlamentar
que discutiria a anistia aos cassados pelo AI-5. Como um cavaleiro
andante da democracia, ele tirou dinheiro do próprio bolso
para visitar um por um os presos políticos que cumpriam pena.
Em uma delegacia, esbarrou na arrogância de um policial que
exigia mandado judicial. "Dê licença, falo em
nome da República!", agigantou-se Teotônio. Era
um acerto de contas com o passado. Diante das vítimas de
tortura, ele rogou ajoelhado: "Perdão por não
ter visto antes essa barbárie."
Usineiro
Nascido a 28 de maio de 1917, em Viçosa (AL), Teotônio
Brandão Vilela era o orador da turma no colégio jesuíta.
Num discurso citou Rousseau, autor francês proibido pelo Vaticano.
Os padres escutaram escandalizados o garoto de 15 anos que pregava
um "novo pacto social". O catecismo acalmou, por uns tempos,
sua fúria cívica. Em 1937, ele foi tentar a vida no
Rio de Janeiro, mas preferiu os cabarés aos cursos de Direito
e Engenharia, que nunca concluiu. De volta ao sertão, negociou
boiada até fundar uma usina de cana-de-açúcar.
Em 1948, filiou-se à UDN, partido pelo qual se elegeu deputado
estadual e vice-governador de Alagoas. Em 1966, candidatou-se a
senador pela Arena. Se num primeiro momento apoiou o golpe militar,
logo disparou críticas. A rebeldia só não lhe
rendeu a cassação por causa da amizade com o ministro
dos Transportes, Mario Andreazza. "A situação
do velho já estava ruim porque ele presidia a Sociedade de
Amigos de Cuba, prova de que era um liberal por excelência",
afirmou a ISTOÉ o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL).
Menestrel
Em 1975, cobrou a redemocratização nacional em discursos
memoráveis que lhe valeram o apelido de Menestrel das Alagoas.
Enquanto os parlamentares do MDB o aplaudiam de pé, os arenistas
viravam as costas e deixavam o plenário. Teotônio percorreu
o Brasil exigindo democracia. Inspirou-se na miséria nordestina
para elaborar o Projeto Emergência, que propunha a moratória
da dívida externa, reformas sociais e eleições
diretas para presidente. Morreu a 27 de novembro de 1983, de câncer
generalizado, depois de comover o País com sua peregrinação.
"Há coisas que enchem a vida de alegria: lavar um cavalo
na água fria do rio, sacudir um boi pelo rabo na carreira
de uma vaquejada e falar com os jovens, sentindo a esperança."
VOCÊ
SABIA?
Boêmio inveterado, pagava rodadas de cachaça e uísque
para os convivas, ainda que tivesse de assinar cheques sem fundo.
"Gostava de acompanhar a cantoria tocando em caixinha de fósforo",
lembra Teotônio Vilela Filho. Em 1972, decidiu, de repente,
que nunca mais beberia. "Já estourei minha cota até
o ano 2000", lamentava.
|