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14) Castello Branco
22,1%
dos votos
Meia-noite de 31 de dezembro de 1944. É Reveillón
no front de batalha. Soldados abrem garrafas de vinho, se abraçam
e dão votos de uma felicidade que, naquele instante, parece
impossível. Em sua barraca de campanha, tentando dormir "uma
ou duas horas", o oficial do Exército brasileiro Humberto
de Alencar Castello Branco escreve uma carta à mulher, "minha
Didina": "Tiroteio imenso e bombardeio de todos os lados.
Saudação própria dos adversários..."
Circunspecto
Condecorado pelo Exército americano por sua participação
na Segunda Guerra Mundial, como chefe de operações
da Força Aérea Brasileira na Itália, o marechal
Castello Branco - nascido em Fortaleza (CE) a 20 de setembro de
1897 - era um homem circunspecto, que dizia sempre não ter
a menor vontade de "aparecer". A ironia ao comentar o
som ensurdecedor das bombas na carta à esposa, Argentina
(com quem teve dois filhos), é uma das raras manifestações
de humor. Filho de militar, entre seus ancestrais figura o romancista
José de Alencar (1826-1877).
Era o chefe
do Estado-Maior do Exército quando foi deflagrado o golpe
militar de 1964. Primeiro presidente do ciclo de exceção
que se abriu a seguir, paradoxalmente, Castello Branco até
hoje é elogiado como um estadista que sabia ouvir. Outro
hábito era o de nunca tomar decisões quando havia
mais de um interlocutor. "Tinha de ser olho no olho. Se a reunião
incluísse muita gente, achava que se prestava a proselitismos",
disse a ISTOÉ- o brigadeiro Murilo Santos, ajudante-de-ordens
e piloto de Castello durante três anos.
Apreciava, sobretudo,
as qualidades profissionais dos homens fardados. Essa característica
de seu temperamento não impediu, entretanto, que editasse
o AI-2, suspendendo garantias constitucionais, cassando direitos
políticos e dissolvendo partidos. "Democracia precisa
de vez em quando de tratamento. É preciso tomar medidas drásticas
para evitar que caia no oposto, a ditadura", justificou.
No plano econômico,
seu governo adotou medidas severas de controle da política
monetária e criou o BNH para financiar moradias populares.
Em 1967, uma nova Constituição foi feita para institucionalizar
o ciclo militar. Era da ala moderada dos militares e achava que
o regime de exceção não deveria se prolongar
demasiadamente - durou até 1985. Homem culto, apreciava o
teatro e a literatura. Ao morrer, a 18 de julho de 1967, 125 dias
após abandonar a Presidência, deixou um acervo de três
mil documentos escritos, incluindo cartas pessoais e manuscritos
reservados.
VOCÊ
SABIA?
Ao sair da casa da escritora Rachel de Queiroz, em Quixadá
(CE), custou a aceitar a carona num avião do governo estadual
até Fortaleza. "Não sou mais presidente, preferia
ir de trem." Perto do pouso, um jato da FAB tocou na asa do
aparelho e o desgovernou, causando a queda que matou Castello. O
desastre foi atribuído à falha do controle de vôo
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