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11) Fernando Henrique Cardoso
27,3%
dos votos
Era
um garoto que gostava de brincar de mocinho e bandido nos terrenos
baldios da Vila Pompéia, em São Paulo. Certo dia,
a fantasia virou realidade. Aos dez anos, Fernando Henrique pulou
no lago do Parque da Água Branca para salvar o irmão
caçula, Antônio Geraldo, de quatro anos, que escapulira
por um segundo de sua vigilância. O lago não era fundo,
mas o pequeno quase morreu afogado. Passado o susto, o problema
era ocultar da mãe o acontecido. Se dona Nayde percebesse
as roupas sujas de lama, seria bronca na certa. Sem ter como disfarçar,
ele confessou o incidente, entre aliviado e constrangido.
Filho, neto
e sobrinho de militares, o carioca Fernando Henrique Cardoso - nascido
a 18 de junho de 1931 - acostumou-se desde cedo à educação
linha-dura. Foi alfabetizado em casa aos três anos. Cedo aprendeu
o francês com professora particular. Menino sabido, preferia
as histórias reais aos contos de fadas. Acompanhou atento
pelos jornais o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Aos dez anos,
mudou-se para São Paulo. O pai, o general Leônidas
Fernandes Cardoso, havia sido transferido. Adolescente, Fernando
Henrique lia Zola e outros clássicos.
Na Faculdade
de Filosofia da USP, em 1948, conheceu Ruth Cardoso, com quem se
casaria quatro anos depois. "Ele é determinado, organizado
e tem uma enorme capacidade de ouvir o ponto de vista alheio",
afirmou a ISTOÉ a pedagoga Beatriz Cardoso, um dos três
filhos do casal - os outros são o publicitário Paulo
Henrique e a bióloga Luciana. A participação
do general Leônidas na campanha O petróleo é
nosso, nos anos 50, influenciou o jovem universitário a adotar
uma ideologia progressista. Foi secretário da revista Problemas,
do Partido Comunista, e participou de campanhas em defesa da escola
pública.
Exílio
Em março de 1964 teve sua prisão preventiva decretada,
sob a acusação de atividades subversivas. Fugiu para
o Chile, onde trabalhou no Instituto Latino-Americano de Planificação
Econômica e Social. Em 1967, lecionou na França e,
no ano seguinte, de volta ao Brasil, conquistou a cátedra
de Ciência Política da USP, sendo cassado em seguida
pelo AI-5. Em 1969, ajudou a fundar o Centro Brasileiro de Análise
e Planejamento (Cebrap), antes de se exilar novamente e dar aulas
nos Estados Unidos.
Retornou ao
País em 1973, engajando-se na anticandidatura de Ulysses
Guimarães à Presidência. Concorreu a senador
em 1978. Alcançou 1,3 milhão de votos e não
se elegeu. Em 1982, foi para o Senado, na vaga de Franco Montoro,
eleito governador paulista. Em 1985, deslizes o fizeram perder a
Prefeitura de São Paulo para Jânio Quadros. Num debate,
declarou-se ateu. Sentou na cadeira de prefeito posando de vencedor
antes do resultado ser conhecido. Um ano depois, deu a volta por
cima elegendo-se senador constituinte, pelo PMDB, antes de ajudar
a fundar o PSDB, em 1988.
No governo de
Fernando Collor de Mello, seu nome chegou a ser cogitado para integrar
o Ministério, o que só viria a ocorrer após
o impeachment do presidente. Primeiro nas Relações
Exteriores, depois na Fazenda, Fernando Henrique deu credibilidade
e charme ao governo Itamar Franco. Implantou o Plano Real que derrubou
a inflação e em seguida se apresentou como candidato
à sucessão presidencial. Venceu em 1994 e, quatro
anos depois, lutou para mudar as regras do jogo e poder se reeleger
com 45 milhões de votos.
Os problemas
do País o afligem, mas não lhe tiram o sono. No máximo
aceita perder meia noite de sono para jogar pôquer com os
amigos no sítio em Ibiúna. "Cardoso é
uma pessoa generosa, cordata e de extremo bom humor", comentou
o economista Paul Singer, amigo do presidente, ex-colega do Cebrap.
VOCÊ
SABIA?
Certo dia, telefonou para uma eleitora a fim de comentar a carta
que ela havia lhe enviado: "Quem fala é o presidente.
Olha, estou ligando para falar sobre suas recomendações..."
A mulher não acreditou. "Ah, é? Pois aqui é
a rainha Elizabeth..."
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