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O Brasileiro do Século

19) SAN TIAGO DANTAS
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Membro da AIB (Ação Integralista Brasileira) nos anos 30, nunca mais se livrou da pecha de fascista. Mas quem conhece a trajetória de Francisco Clementino San Tiago Dantas (1911-1964) sabe que não era bem assim. "Foi em razão de -nosso sentimento antibur-guês", respondeu ao ser inda-gado sobre o assunto anos mais tarde. Entre apoiar a República Velha e o leninismo, escolheu combater as duas coisas. Descobriu a vocação para empunhar a bandeira dos regimes democráticos em 1938, quando rompeu com Plinio Salgado, poupando-se de saudar os colegas com um "anauê". Ali surgiu o San Tiago que defenderia depois a não-expulsão de Cuba das Organizações dos Estados Americanos (OEA) e o cumprimento do acordo com o FMI.

Rios de dinheiro A liderança da turma na faculdade ele dividiu com Carlos Lacerda, mas não a preferência dos professores. Um ano após se formar, assumiu a direção do curso e, nos anos 50, acumulou quatro cátedras universitárias. Ganhou rios de dinheiro advogando e, só para dizer o que bem quisesse e quando bem entendesse, comprou o Jornal do Comércio. Ca--ri-oca, foi jurista, jornalista, professor e especialista em finanças públicas. Parecia fadado a não alcançar o poder - logo ele, o autor da frase "política só se faz no poder". Em 1955, filiado ao PTB, teve o nome vetado pelo próprio partido para a pasta da Agricultura de Juscelino Kubitschek. Era deputado federal pelo Rio de Janeiro quando Jânio Quadros o indicou ao posto de embaixador brasileiro na ONU, mas não assumiu o cargo por causa da renúncia do presidente. Finalmente, apoiando João Goulart, ganhou o Ministério da Fazenda com a missão de realizar as reformas de base e o Plano Trienal de Celso Furtado. Dizendo que o radicalismo de setores do governo atrapalhava o crescimento do País, renunciou ao cargo, cinco meses depois de assumir a pasta. Quando morreu, em outubro de 1964, aos 53 anos, o escritor Otto Lara Resende resumiu da seguinte forma a admiração que sentia pelo amigo: "Depois de conversarmos, eu tinha vontade de sair andando de quatro, pastar e urrar."

VOCÊ SABIA? Era deputado federal do PTB e havia integrado o governo de João Goulart como ministro da Fazenda, mas não foi cassado pelo regime militar em 1964. Motivo: tinha um câncer no pulmão que o mataria seis meses após o golpe.