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18) ROBERTO SIMONSEN
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Na cabeceira da cama de Roberto Cochrane Simonsen, na casa de Campos de Jordão (SP), a sobrinha Camila viu um exemplar de O Capital, de Marx. Desde que passara a ler o filósofo alemão, o industrial falava com desenvoltura sobre a obra e citava trechos inteiros do livro. Sabendo que o tio jamais endossaria tais idéias, Camila duvidou da sanidade mental do industrial. Indagado, Simonsen tranquilizou os parentes. "É preciso conhecer o pensamento da esquerda para argumentar contra ela", explicou. Árduo defensor do capitalismo, teve uma única obsessão na vida: fazer surgir e crescer a atividade industrial brasileira. E nem que estivesse fora de si defenderia o materialismo.
Nascido em berço de ouro - o pai, um aristocrata inglês, viajou para o Brasil no século passado, casou e ficou por aqui gozando sua fortuna -, ingressou no curso de Engenharia da Escola Politécnica logo aos 15 anos, de onde saiu com o diploma de primeiro da turma. Carioca (nascido a 18 de fevereiro de 1889), os pais tinham mudado para Santos quando tinha um ano de idade. Fundou a Companhia Construtora de Santos, a primeira grande empresa de construção civil brasileira, e ergueu a Bolsa de Café e a Base de Aviação Naval na cidade litorânea. Preferia, entretanto, ser admirado como um pensandor. Defendia a tese da falência da aristocracia cafeeira, já incapaz de sustentar o País (o valor das exportações já havia caído 80%), e exigia incentivos oficiais para o empresariado nacional.
Elegância britânica
Os olhos azuis e a elegância britânica conquistaram as donzelas dos anos 30. Já o presidente Getúlio Vargas se encantou por suas idéias, apesar da participação de Simonsen na Revolução Constitucionalista de 1932. O empresário reuniu companheiros na sede do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), que ajudou a fundar em 1928, e traçou planos de armar a população até os dentes. Foi exilado durante dois anos na Argentina. Na volta não se fez de rogado e sentou-se à mesa do presidente para sugerir novos rumos às atividades industriais. De intermináveis reuniões no Ciesp saíram projetos fundamentais como o de substituição das importações.
Preocupado em formar uma "elite organizada e instruída", criou a Escola de Sociologia e Política de São Paulo, nos anos 20, mas só assumiu a cadeira de História Econômica do Brasil em 1936, após cumprir o mandato de deputado constituinte. Dez anos depois, foi eleito senador por São Paulo e tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras. Morreu, em 1948, vítima de um infarto enquanto discursava na ABL. Tinha 59 anos e estava casado há 37 com Rachel Cardoso, com quem teve quatro filhos. Na ocasião, Oswald de Andrade, escreveu que, sem Simonsen, seríamos "não só o país de sobremesa que éramos - produzindo frutas, açúcar e café -, mas também a própria sobremesa dos banquetes imperialistas."
VOCÊ SABIA?
Pregava peças em amigos e parentes. Numa festa, o filho dançou com uma jovem casada. No dia seguinte, Simonsen escreveu um bilhete ameaçador e assinou como se fosse o marido traído. Só desfez a confusão ao ver o filho de mala na mão, pronto para fugir da cidade.
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