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16) EUGÊNIO GUDIN
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A primeira faculdade de Economia do País nasceu de um negócio que gorou. Eugenio Gudin tinha uma plantação de laranjas em Nova Iguaçu (RJ) e planejava exportar as frutas. Havia se esmerado em adubá-las com os fertilizantes mais avançados da época - anos 30 -, mas a política cambial do governo de Getúlio Vargas desestimulava as vendas para o mercado externo. Inconformado, Gudin perdeu dinheiro, mas tomou uma importante decisão: "Creio que é necessário ensinar economia aos brasileiros." Em 1938, ele fundou a pioneira Faculdade de Ciên-cias Econômicas e Administrativas, no Rio de Janeiro. Até então, ensinava-se economia nas escolas de Engenharia e Direito.
Guru dos economistas brasileiros da corrente liberal, ele escreveu Princípios de economia monetária, bíblia de uma geração que inclui desde Roberto Campos até Mário Henrique Simonsen, que era primo de Gudin. Carioca nascido a 23 de julho de 1886, Gudin partiu aos seis anos de idade com a família para a Europa, onde faria os primeiros estudos. Todos se assustaram com um bombardeio ensurdecedor quando o navio zarpava. Era o início da revolta da esquadra contra Floriano Peixoto. "As balas dos canhões passavam por cima do navio no duelo entre as fortalezas dos rebeldes e as leais ao governo."
De volta ao Brasil, formou-se engenheiro, em 1905, na Escola Politécnica do Rio, e construiu represas no Ceará, canalizou rios em sua cidade natal e coordenou a implantação dos bondes no Recife até encantar-se com as teorias econômicas, em 1922. Autodidata, mergulhou nos clássicos ingleses, espe-cialmente Adam Smith. Embora discordasse de Vargas (chegou a apoiar a revolução constitucionalista de 1932), foi chamado diversas vezes para colaborar com o governo durante o Estado Novo. Em 1944, participou como delegado brasileiro da reunião na qual seriam criados o FMI e o Banco Mundial, em Bretton Woods (EUA). Sua principal contribuição, entretanto, seria dada como ministro da Fazenda de Café Filho, em 1954, quando fixou um rígido controle monetário para deter a inflação. Mas ficou só oito meses no cargo, contrariado com o acordo entre Café Filho e Jânio Quadros, governador paulista na época, que afrouxava a política econômica.
"Água faz mal"
Cantor de ópera e apreciador do boxe (na juventude, remava no Flamengo), Gudin era homem de boa conversa e refinado humor. A bebida predileta era o vinho. Certa vez, um maître lhe ofereceu um francês de tradicio-nal casa fundada em 1887. "Não é vantagem, é um ano mais nova do que eu", brincou. Morreu em outubro de 1986, três meses depois de completar 100 anos. Atribuía a longevidade ao fato de beber pouca água. Toda a manhã, ao ler os obituários no jornal, dizia à mulher, dona Violeta (casou duas vezes e não teve filhos): "Olha só, toda essa gente bebia água..."
"Defendia o crescimento agrícola como suporte da industrialização e, por isso, foi acusado injustamente de antidesenvolvimentista. Era, na realidade, realista", afirmou a ISTOÉ o economista Roberto Campos, que se declara seu discípulo. "Era meu mestre. Pena que não viveu o suficiente para assistir à derrocada do socialismo", disse Campos.
VOCÊ SABIA?
Aos 95 anos, subiu as escadarias do Castelo de Blois, em Paris, sozinho, só para ver onde estão os restos mortais de Leonardo da Vinci, para ele um dos maiores sábios da humanidade.
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