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13) NELSON HUNGRIA
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O entusiasmo não cabia naquele metro e oitenta de corpo magricela. Os olhos de menino travesso aliavam-se à retórica fascinante e transformavam cada plenário em uma sessão de discursos inflamados. Polemista exímio, Nelson Hungria marcou época pela veemência de suas explosões em júri. Certa vez, teve de abandonar o tribunal às pressas, com princípio de infarto. Mas seus pronunciamentos exaltados não o livraram de algumas derrotas nos tempos de promotor público no interior de Minas Gerais, nos anos 20. Ao final da acusação contra um matador confesso, deu a palavra ao advogado de defesa, que teatralmente disse: "Se meu cliente é culpado, quero ver minha mulher num prostíbulo da cidade!" Estupefato com a absolvição do réu, depois do julgamento Nelson procurou um dos jurados, que lhe respondeu, inocente: "Mas seu 'dotô', o homem jurou pela esposa na rua do Meio."
Nascido a 16 de maio de 1891, no distrito de Além Paraíba (MG), Nelson Hungria Hoffbauer era sobrinho-bisneto de um santo da Igreja Católica. São Clemente Maria foi arcebispo de Viena no século XVIII e uma das poucas vozes a desafiar o general Napoleão Bonaparte. Se o jurista não herdou a fé ardorosa - embora cristão, só ia a missa de sétimo dia -, tomou emprestado do parente ilustre o talento de orador. Mal completou os 13 anos de idade e já se aventurava nos exames de admissão da faculdade de Direito. Quando defendeu sua tese, teve de subir num banquinho para que os examinadores pudessem vê-lo - e aprová-lo com distinção. Aos 16 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso. Formado em 1909, foi nomeado promotor público em Rio Pomba (MG), cargo que exerceu durante nove anos. Como a rotina não era puxada, sobrou tempo para fundar dois jornais e aprender, sozinho, seis idiomas.
Delegado de polícia
Nelson voltou ao antigo Distrito Federal arrumando emprego de delegado de polícia. O pedido de demissão veio oito meses depois, quando ele ouviu alguns gritos ao entrar na delegacia. Chamou um soldado e constatou que ele fazia uso de palmatória e outros meios de tortura para obter confissões, que o chefe proibiu terminantemente. Os subordinados acataram a ordem, mas provocaram: "Belo gesto, só que aqui jamais se descobrirá qualquer crime."
VOCÊ SABIA?
Quando foi preso pelo regime militar, um dos policiais desistiu de arrancar qualquer coisa do economista e perguntou: "Já que o senhor é considerado tão bom economista, se eu abrir uma indústria de leite de soja vou ter futuro?" Singer não lembra o que respondeu, mas foi, sem dúvida, "alguma coisa bem positiva, para agradá-lo".
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