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O Brasileiro do Século

18) Leônidas da Silva

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Era inacreditável como aquele negro miúdo e baixo - 1,65 m de altura - marcava gols sem estar com os pés no chão, simplesmente flutuando. Criado em São Cristóvão, zona norte do Rio, Leônidas da Silva inventou a jogada mais elegante e extraordinária do futebol, a bicicleta. Não era exibicionismo, e sim um modo atrevido de furar a marcação da zaga. De costas para o goleiro, lançava-se com elasticidade, e, como se pedalasse em pleno ar, fazia o gol que os companheiros já consideravam perdido. Uma obra de arte. "Nem lembro quando marquei o primeiro gol desta maneira, mas posso garantir que fazia a jogada desde menino", diz Leônidas.

Diamante Negro
Na Copa de 1938, na França, a Seleção Brasileira ficou em terceiro lugar e Leônidas foi o artilheiro da competição com oito gols. Os franceses o chamavam de "Homem de Borracha". No Brasil, havia apenas três unanimidades: Getúlio Vargas, Orlando Silva e o Diamante Negro, apelido dado por Chateaubriand. O megaempresário das comunicações, então dono da fábrica de chocolates Lacta lançou a marca Diamante Negro em homenagem ao craque, vislumbrado já naquela época o sucesso que produtos aliados à imagem de jogadores poderiam fazer. Alavancou as vendas da fabriqueta, transformando-a na maior indústria do gênero do País.

Doença
Leônidas jogou em todos os grandes clubes cariocas, Botafogo, Vasco e Flamengo, teve uma rápida passagem pelo Peñarol, do Uruguai, mas o auge da carreira foi no São Paulo. Venceu cinco campeonatos paulistas entre 1943 e 1949, um recorde. Em 1951 abandonou o futebol e trabalhou como comentarista esportivo durante 20 anos. Hoje luta contra o mal de Alzheimer numa casa de saúde para idosos, em São Paulo, e tem todas as despesas custeadas pelo tricolor paulista, uma forma de agradecimento por todas as glórias e títulos. Mas Leônidas merecia muito mais.

Você sabia?
Leônidas passou oito meses no xadrez em 1941 porque falsificou um certificado de reservista. No quartel não poderia jogar bola. Diz que foram os melhores meses da vida dele, já que todos na prisão eram seus fãs.

Pódio

  • Campeão pela Seleção Brasileira na Copa Rio Branco (1932).
  • Artilheiro da Copa da França com 8 gols (1938).
  • Campeão carioca pelo Flamengo (1939).
  • Campeão paulista pelo São Paulo (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949).