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O Brasileiro do Século

14) Nelson Piquet

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O carioca Nelson Piquet Souto Maior, 46 anos, é dono de uma sinceridade cruel e de três títulos de Fórmula 1 (1981, 1983 e 1987). Seus fãs admiram o piloto e também o homem. Elogiam suas declarações polêmicas com o mesmo ardor um dia dedicado à comemoração de suas vitórias. Exemplo de sua mordacidade: "Alain Prost é cheio de frescura, Keke Rosberg é muito confuso, Renée Armoux é um panacão, mas o Niki Lauda é legal." Quando o mundo inteiro chorava a morte prematura de Ayrton Senna, em 1994, Piquet declarou: "Um piloto de Fórmula 1 só ganha milhões de dólares porque convive com o risco de morrer. As pessoas grudam os olho na televisão durante as corridas porque sabem que é o perigo de um acidente fatal o que dá graça a esse esporte." Entre marketing e currículo, Nélson Piquet não hesita em ficar com o segundo, mesmo porque o seu, na F-1, não é de se jogar fora: 206 GPs disputados, três títulos, 23 vitórias, 24 poles, 23 voltas mais rápidas, 484 pontos e 60 pódios, em 13 anos de carreira.

Sobrenome adulterado
Piquet conheceu as pistas em um kart e, no início da década de 70, passou a correr na Fórmula Super V. Na época, seus pais ainda não apoiavam a carreira e uma das saídas para driblar a vigilância foi usar o sobrenome adulterado. Em 1975, assinava "Piket" nos capacetes e macacões. No ano seguinte, controlou as resistências familiares e conquistou o primeiro título na Super V. Entusiasmado, foi para a Inglaterra em busca de maior espaço. Acabou atingindo o objetivo em 1978, com o título de campeão inglês de Fórmula 3 e a estréia na F-1, no GP da Alemanha, no cockpit de um Ensign-Ford. Após uma breve passagem pela McLaren, desembarcou na Brabham, onde ficou até 1985. Foram anos produtivos para a parceria entre o piloto e a equipe britânica. No período, Piquet conquistou seus dois primeiros títulos em 1981 (com um motor Ford) e dois anos depois, beneficiado pela regularidade dos propulsores da fábrica alemã BMW. Nos campeonatos de 1986 e 1987, o piloto acumulou vitórias na inglesa Williams, com motor Honda Turbo, e desentendimentos com seu companheiro de equipe, o inglês Nigel Mansell. Mesmo assim, conseguiu o tricampeonato na segunda temporada pela equipe, com 73 pontos. Nos anos seguintes, contratado pela Lotus, não teve a mesma sorte. Na primeira temporada, ficou em sexto lugar, com 22 pontos. Na segunda, terminou em oitavo, com apenas 12 pontos.

De pai para filho
O ciclo na F-1 foi encerrado na Benetton-Ford, nos campeonatos de 1990 (terceiro lugar, com 43 pontos) e 1991 (sexto lugar, com 26,5 pontos). Piquet ainda ensaiou um retorno em maio de 1992, nas 500 Milhas de Indianápolis, mas um choque violentíssimo contra o muro, ainda nos treinos, abortou o sonho. Piquet ficou preso nas ferragens por 15 minutos. Teve fraturas múltiplas na parte inferior das pernas e dos pés. Recuperado no acidente, abandonou as pistas, mas jamais manifestou qualquer indício de autopiedade. Coerente, sempre soube que o perigo o espreitava a cada curva. Decidiu matar a saudade com algumas corridas na Fórmula Uno, pela equipe Sinal/Taurus, e uma participação nas 24 Horas de Nurburgring, na Alemanha. Hoje, os olhos de Piquet estão voltados para Nelson Ângelo Piquet, 12 anos, quarto de seus cinco filhos. O menino sagrou-se campeão brasileiro de kart na categoria Júnior Menor, em 1997. "Ele é melhor do que eu. Gosta de correr, é disciplinado e não faz corpo mole", analisa o piloto, segundos antes de arrematar, no melhor estilo ranzinza. "Se quiser continuar a correr, terá que tirar boas notas na escola."

Você sabia?
Em 1982, na África do Sul, os pilotos se uniram contra a Federação Internacional Sport Automobile (Fisa), que pretendia criar uma legislação trabalhista para a categoria. Em protesto, não treinaram por 24 horas. No dia seguinte, tudo voltou ao normal, exceto para Piquet, obrigado a ficar no box por deteminação de Bernie Ecclestone, dono da Brabham. A alegação foi a de que o brasileiro estava cansado. Mas, na verdade, tratava-se de um castigo. A ausência quase desclassificou o brasileiro do campeonato.

Pódio

  • Tricampeão Mundial de Fórmula 1 (1981, 1983 e 1987).
  • 23 vitórias em 13 temporadas.
  • 60 pódios na carreira.