|
13) Paula
25,67% dos votos
Corpo esguio, sorriso fácil e as mãos pequenas e delicadas. A aparente fragilidade de Maria Paula Gonçalves da Silva, 36 anos, a Paula, um dos mitos do basquete brasileiro, é pura ilusão. Na quadra, suas principais características são determinação, força e um assombroso talento que fez com que os americanos, certa vez, a chamassem de Magic Paula, referência ao ídolo Magic Johnson. Paula é uma prova de que nem sempre o porte físico é uma vantagem - ela tem só 1,74 m de altura, enquanto a maioria das atletas supera 1,80. "Talvez eu seja bem-sucedida justamente por não ter o biotipo ideal para o basquete. A desvantagem física me obrigou a desenvolver a técnica e a visão de jogo".
Os moradores da pacata Oswaldo Cruz - no noroeste de São Paulo, a 565 quilômetros da capital - descobriram que havia uma menina espevitada à qual sobrava talento na quadra. "Essa garota tem futuro!", diziam em coro parentes, professores e amigos, enquanto Paula enrubescia de vergonha. Estavam cobertos de razão. Aos 12 anos, depois de convencer o técnico Ruy Camarinha a deixá-la entrar no time da cidade, formado por moças até quatro anos mais velhas, Paula foi jogar no Assis Tênis Clube, no vizinho município de Assis.
Rivalidade
Dois anos depois, era convocada pela primeira vez para a seleção brasileira. Era a mais jovem integrante do time que disputou o Sul-Americano do Peru, que contava com outra menina desengonçada, chamada Hortência. Elas começavam suas carreiras vitoriosas e também uma saudável rivalidade. Companheiras na seleção, adversárias nos clubes. No escrete nacional, ambas queriam vestir a camisa número 4. Hortência ganhou no par ou ímpar e Paula ficou com a 8, com a qual joga até hoje. "Em dez anos, disputamos muitas decisões entre clubes e, é claro, as duas queriam ganhar. Eu treinava mais e mais para ser melhor do que ela, e Hortência fazia o mesmo para me superar. Acho que, por causa disso, evoluímos bastante", lembra Paula.
A década de 80 foi plena de títulos para Paula - 19 campeonatos entre paulistas e nacionais, medalha de bronze no Pan-Americano de Caracas, em 1983, e prata em Indianápolis, quatro anos depois. Paula foi a primeira jogadora de basquete brasileira a atuar fora do País e conquistou o vice-campeonato da Liga Espanhola, em 1989, pelo Tintoretto, de Madri. Mas o auge da carreira veio nos anos 90, com a conquista do Pan-Americano de Cuba e o Mundial da Austrália, em 1994. Esse último título é o que ela mais dá valor. Pena que a repercussão foi abafada pela vitória de Romário & Cia. na Copa do Mundo. Frustrante foi perder a medalha de ouro na Olimpíada de Atlanta para as americanas, em 1996. "Fizemos tudo que era possível, mas não deu. Os brasileiros queriam muito aquela medalha", lembra.
Disciplina
Empresária, tem uma confecção de roupas esportivas e camisetas em Campinas. "Volta e meia, desenho alguns modelos, dou palpite", revela. De uns anos para cá, passou a administrar seu dinheiro, investindo num sítio em Piracicaba, onde passa a maior parte do tempo livre, ao lado de pais e amigos. Ainda não decidiu se vai disputar as Olimpíadas de Sidney, no ano 2000. "Antes preciso saber se estarei em condições físicas adequadas." A idéia é abandonar a quadra no auge da forma física, mas para isso é preciso muita disciplina. "não é porque jogo há 26 anos que vou relaxar. ao contrário, continuo fazendo os mesmos exercícios de uma menina de 15 anos, perco muitas horas ao dia arremessando a bola na cesta."
Você sabia?
Paula assistia a um telejornal quando apareceu na telinha seu maior ídolo, Magic Johnson, manifestando o desejo de conhecê-la pessoalmente. O encontro aconteceu no intervalo do jogo exibição de Johnson. "Suava frio, comecei a tremer e senti as pernas amolecerem. Depois que conheci Johnson, passei a entender melhor as atitudes de meus fãs."
Pódio
- Campeã Mundial na Austrália (1994).
- Medalha de Ouro no Pan-Americano de Havana (1991).
- Medalha de Prata nas Olimpíadas de Atlanta (1996).
- Medalha de Prata no Pan-Americano de Indianápolis (1987).
- Tetracampeã brasileira de clubes (1986, 1987, 1991 e 1995).
|