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O Brasileiro do Século

7) Emerson Fittipaldi

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Emerson Fittipaldi é nome de rua. Mas não adianta procurá-la, por exemplo, no bairro paulistano das Perdizes, onde ele passou a infância com a família. Os brasileiros o admiram muito - a expressiva votação entre os leitores de ISTOÉ na escolha do brasileiro do século é uma das provas desse carinho -, mas as bandeiras do reconhecimento deste paulistano de 53 anos estão fincadas em solo americano, numa simpática rua que cruza a região de South Miami, na cidade mais importante da Flórida. São as placas da Fittipaldi Way, o caminho escolhido pelos moradores e autoridades da cidade para homenagear o único brasileiro capaz de ostentar no currículo títulos na Fórmula 1 e também na Fórmula Indy. Emerson despertou o País para a emoção da F-1 ao vencer o campeonato mundial de 1972 e repetiu a dose dois anos depois. Na Indy, venceu, entre outras provas importantes, as mitológicas 500 milhas de Indianápolis, em 1989, e faturou o título da temporada em 1993. Foi o ídolo de Ayrton Senna, e ídolo de Nelson Piquet. Os dois admitiram ter se inspirado na carreira do piloto para construir as suas. Emerson, o "Rato", foi um campeão dentro do cockpit. Fora dele, "Emmo", como preferem os americanos, é um homem de negócios rápido, dono de manobras ousadas e igualmente vencedor.

A paixão de Emerson pelos bólidos e a velocidade foi descoberta aos cinco anos, quando seu pai, o então jornalista esportivo Wilson Fittipaldi, resolveu levá-lo para assistir a uma corrida no autódromo de Interlagos, em São Paulo. "Quando o primeiro carro passou por mim, eu já sabia o que queria fazer da vida", lembra. O veículo mais próximo de um F-1, pilotado por ele na infância, foi um kart. Antes disso, ajudava a acertar os carros do irmão Wilsinho, que já corria na época. Na garagem de casa, montou uma oficina para fabricar e vender motores. "Foi o trabalho na garagem que me deu dinheiro para começar minha carreira", diz. Aos 21 anos, foi campeão brasileiro de Fórmula V. Depois disso viajou.

Na Inglaterra, começou disputando a Fórmula Ford e teve um excelente aproveitamento - de nove corridas disputadas, venceu três e chegou em segundo nas outras. O professor de pilotagem Jim Russel ficou impressionado e convidou o rapaz a partcipar da Fórmula 3. Não houve decepção: Emerson chegou em primeiro lugar em oito das 12 corridas e levou o título de campeão britânico da categoria. O passaporte para a F-1 estava entregue nas mãos de Colin Chapman, o diretor da equipe Lotus. "Era muito pressionado na F-1. Além disso, existe ali um certo isolamento do mundo, os pilotos ficam muito solitários", conta Emerson. Mesmo assim, fez história na categoria mais importante do automobilismo mundial. Em 1972, aos 25 anos, foi o mais jovem campeão da Fórmula d1. O bicampeonato veio em 1974, pilotando um McLaren-Ford, após ter sido vice no ano anterior.

As vitórias despertaram no campeão a vontade de ter sua própria equipe para disputar a F-1. Em parceria com o irmão Wilsinho, criou a Copersucar nos anos 80. A dupla perdeu dinheiro e prestígio com o projeto e Emerson afastou-se das pistas. O ciclo de triunfos do Rato para muitos, havia chegado ao fim. Mas, anos depois, ele começou a mostrar os primeiros lances de uma impressionante capacidade de renovar a própria vida. Ressurgiu como piloto de ponta na Indy, em 1984, venceu as 500 Milhas de Indianápolis em 1989 e levou o título em 1993. Era o renascimento do ídolo. Em duas ocasiões, Emmo renasceu também no sentido puro da palavra. Na primeira, conseguiu se recuperar do violentíssimo acidente em 28 de julho de 1996, em Michigan. O piloto bateu no muro da pista a 300 km/h e teve uma vértebra cervical esmagada. Os médicos disseram que ele escapou por um milagre de ficar tetraplégico. Um mês depois, recuperado, despediu-se das pistas.

Assédio
Em setembro do ano seguinte, o piloto passou por um pesadelo com o filho Luca, na época com seis anos. O ultraleve pilotado por Emerson caiu de uma altura de 100 metros, em um brejo de uma de suas fazendas, em Araraquara (SP). O piloto, com uma fratura na segunda vértebra lombar, e o menino só foram resgatados 11 horas e meia após o acidente. As vitórias continuaram fora das pistas. Há cálculos dando conta de que a movimentação financeira de seus negócios bateu, em 1998, a casa dos US$ 30 bilhões. Emerson passa a maior parte de seu tempo com a família, em Miami. O assédio dos moradores o deixa orgulhoso. As caminhadas por South Miami são outro motivo de satisfação. São poucos os que podem caminhar e encontrar o próprio nome estampado na placa da esquina.

Você sabia?
Indianápolis, 1993. Emerson estava em terceiro, viu a bandeira amarela e parou no box. A equipe estava a postos, mas ninguém se mexeu. Após uns 20 segundos, o mecânico gritou pelo rádio: "Venha rápido". Ele respondeu: "Mas eu estou aqui, droga". Segundos depois, percebeu o furo: estava no box errado.

Pódio

  • Bicampeão de Fórmula 1 (1972, 1974).
  • Vencedor das 500 Milhas de Indianápolis (1989).
  • Campeão de Fórmula Indy (1993).