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O Brasileiro do Século

6) Éder Jofre

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Éder Jofre só não nasceu dentro de um ringue porque sua mãe não deixou. Se fosse pela vontade do pai, o lendário lutador Aristides "Kid" Jofre, teria nascido. A casa onde morava quando criança, em São Paulo, era também a academia da família, onde quase todos os tios e irmãos eram pugilistas. "Jofrinho", como era conhecido, engatinhava ao redor do ringue e foi em cima da lona que aprendeu a andar.

O garotão não demorou a colocar as luvas nas mãos para dar os primeiros golpes. O pai já sabia que ele seria lutador, mas não imaginava que se tornaria o melhor pugilista brasileiro de todos os tempos. Éder participou, até o fim da carreira, de 81 lutas, saiu vitorioso em 77 delas e em 58 venceu por nocaute. Foi campeão mundial de pesos-galo e pesos-pena. Invencível nos ringues, Éder era um verdadeiro "Galo de Ouro", como até hoje é chamado no circuito profissional do boxe.

Atleta-mirim
Mas os planos do garoto Éder Jofre não incluíam o boxe. Preferia um futuro mais tranquilo. "Com toda a calma do mundo me convenceram e depois das primeiras vitórias eu me senti bem lutando", disse certa vez. Vitórias estas que não tardaram a chegar. Em 1943, com sete anos, subiu no ringue do ginásio do Pacaembu para uma exibição de luta-mirim. Venceu, é claro. Estreou no boxe amador em 1953 como peso-mosca num torneio extra-oficial organizado pelo Sesi e logo depois participou do Campeonato de Estreantes do jornal A Gazeta Esportiva defendendo o São Paulo e saiu campeão.

Sacrifício
Lutou e venceu nos campeonatos de Novíssimos, Novos, Paulista, Brasileiro e Sul-Americano. Deixava de ser só mais um estreante para integrar a equipe paulista de boxe, pela qual disputou o troféu Ramón Platero, em Montevidéu, no Uruguai. Participou também das Olimpíadas de Melbourne, em 1956, na Austrália, mas perdeu nas quartas-de-final. Embora tenha sido um grande pugilista, não alcançou o sucesso sem sacrifício. A verdade é que gostava de dormir até mais tarde, mas aceitou todas as restrições de uma vida de atleta de olho no futuro. "Não queria fazer muitos sacrifícios. Mas sabia que precisava penar para ser vitorioso", disse.

Em 1960 veio o maior título que conquistou, o cinturão da categoria peso-galo. Lutou com o mexicano Joel Mendel para ter o direito de desafiar o campeão mundial Elói Sanchez. A luta aconteceu em Los Angeles e, segundo Éder, foi a mais difícil de sua carreira; depois de quase beijar a lona, venceu por nocaute técnico. Contra Sanchez, a vitória foi "tranquila", ganhou no sexto assalto. Virava, então, o mito Éder Jofre, para quem o presidente Jânio Quadros mandou liberar um carro só para que pudesse andar acenando pelas ruas esburacadas do Parque Peruche, bairro onde nasceu, na zona norte de São Paulo.

Volta triunfal
Em 1973, aos 37 anos, depois de ter abandonado as luvas, ele voltou para ganhar o título mundial da categoria peso-pena. Derrotou o cubano naturalizado espanhol José Legra - sete anos mais jovem - numa luta de 15 assaltos, em Brasília. Em certo momento, o público predeu a respiração. Legra acertou um cruzado em cheio, Éder chegou a dobrar a perna, mas o knock-down não ficou caracterizado porque, justamente nesse instante, soou o gongo. A batalha se tornou dramática a partir do oitavo assalto, quando todos temiam que o cansaço do campeão o derrotasse, mas Éder mostrou a velha classe e faturou o título por pontos. Em 1977, aos 41 anos, comunicou oficialmente o abandono dos ringues. "Sei que posso vencer muito garoto por aí, mas esse é o momento certo de parar, quando ainda estou por cima", disse Éder na época de seu afastamento. Com a perda do pai, do irmão e da mãe, o melhor pugilista brasileiro de todos os tempos perdeu também a motivação pelo boxe. Ingressou na carreira política em São Paulo e hoje dá aulas de pugilismo numa academia.

Você sabia?
Para desespero do pai, treinador e ex-pugilista, ainda garoto Éder Jofre queria desistir do boxe para se tornar artista plástico e chegou a frequentar o Liceu de Artes e Ofícios. Mas, pela primeira vez, a família interferiu no seu futuro e impediu que o talento fosse parar na lata de lixo.

Pódio

  • Tricampeão mundial de Fórmula 1 (1988, 1990 e 1991)
  • Campeão do mundo na categoria peso-galo (1960).
  • Campeão do mundo na categoria peso-pena (1973).
  • 77 vitórias, das quais 58 foram nocaute.