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5) Maria Esther Bueno
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A paulistana Maria Esther Bueno, 59 anos, está convencida de que veio ao mundo para cumprir uma missão: jogar tênis. "Nasci só para jogar, e jogar bem", diz a atleta. Não é exagero. Em 21 anos de carreira, ela conquistou quase 600 títulos, 170 deles fora do Brasil. O mais importante: o tricampeonato de Wimbledon, o principal torneio do circuito mundial do tênis. Se houvesse um ranking para a classificação dos tenistas na época em que brilhou nas quadras, ela teria ficado em primeiro lugar pelo menos durante dez anos.
A jovem bonita e charmosa venceu pela primeira vez em Wimbledon, em 1958, formando dupla com a americana Althea Gibson. Só naquele ano seriam mais de 25 vitórias, na Itália, Alemanha e Estados Unidos. Em apenas dois anos jogando em torneios adultos, "Estherzinha", como ficou conhecida, tornou-se a melhor tenista que o Brasil jamais havia visto jogar. Se tudo tivesse acontecido duas décadas mais tarde, hoje seria a mulher mais rica do esporte brasileiro, já que os prêmios em dinheiro oferecidos no circuito mundial são milionários. Atualmente, Roland Garros, por exemplo, que Esther venceu três vezes, oferece US$ 660 mil dólares ao primeiro lugar, mas há 40 anos o atleta só levava para casa um troféu, além de muito orgulho. Pelo menos, "eram taças bonitas e sofisticadas", consola-se Esther, sem perder o bom humor.
Talento nato
As quadras de Wimbledon ficaram familiares à tenista, que chegou a vencer oito vezes, três de simples (em 1959, 1960 e 1964) e cinco de duplas femininas e mistas (em 1958, 1960, 1963, 1965 e 1966). As dificuldades que os atletas brasileiros sentem quando jogam na grama do All England Club, em Londres, Estherzinha não sentiu. Mesmo sendo uma tenista das quadras de saibro e cimento, ela tinha a intimidade de quem a vida inteira jogou por lá. A única explicação para tal desenvoltura é seu talento nato indiscutível. "O estilo de jogo dela é inimitável, agressivo, junto à rede. Jogava um tênis clássico e bonito", diz Paulo Kleto, ex-treinador da seleção brasileira.
Em 1959 ganhou com facilidade o primeiro torneio individual que disputou em Wimbledon, derrotando outra grande tenista, Darlene Hard. Maria Esther até hoje lembra a tranquilidade com que jogou aquela partida, como se vencer o mais importante torneio não fosse o sonho de todos os tenistas. Na mesma temporada ganhou o troféu do individual no US Open Tennis, que na época levava o nome de Forrest Hills, sobre Christine Truman e foi vice de duplas junto com Sally Moore.
Em 1960 foi bicampeã em Wimbledon vencendo Sandra Reynolds, vice no US Open e conquistou mais 11 títulos de dupla, além de ganhar três torneios na Europa, dois na América do Sul e dois na Austrália. A primeira dificuldade surgiu na temporada seguinte quando uma hepatite atrapalhou seus planos. Mesmo fragilizada ela ainda alcançou os primeiros lugares em cinco torneios de simples e três de duplas e foi vice-campeã do Nacional da Itália. Recuperada, em 1962 venceu a modalidade de duplas mistas em Roland Garros e nos EUA. Ganhou o tricampeonato em Wimbledon e o tetra no US Open. Uma trajetória inédita.
Esporte de elite
Surpresa para o Brasil, onde praticar tênis ainda é um privilégio de quem pode frequentar clubes e despender fortunas com materiais caros. A raquete mais barata à disposição nas lojas custa 15 vezes mais que uma bola de futebol. Embora tenha aparecido por aqui em 1888, o tênis só ganhou popularidade, recentemente, quando Gustavo Kuerten venceu em Roland Garros. "Estherzinha" só não fez mais pelo tênis no Brasil porque o esporte não era um filão do marketing mundial e a televisão ainda não transmitia as partidas. Os jornais impressos davam as notícias sobre a tenista alguns dias depois e sem muito destaque, o que dificultava a repercussão das vitórias.
Consagração
Em 1963, conquistou o recorde de 17 troféus de duplas em diferentes países, mas dois anos depois enfrentou contusões no braço direito que acabariam por encurtar seu ciclo de vitórias. Parou em 1969, mas ainda voltou a Wimbledon, pela última vez, em 1974, chegando às quartas-de-final. Fez sua despedida oficial no All England Club, em 1977. Deixou para o País as maiores glórias que um tenista pode alcançar. "Com as minhas vitórias o mundo olhou para o Brasil de um jeito diferente. Deixamos de ser apenas o país do futebol", analisa Esther. A consagração definitiva veio no ano passado quando ela foi incluída na lista da ONU como uma das 400 personalidades mais importantes do milênio.
Você sabia?
Em 1969, a tenista disputou o Aberto de Nottingham, na Inglaterra, e teve todos os seus uniformes roubados por fãs enlouquecidos. Quando descobriu, minutos antes da última partida, não havia mais tempo de comprar a roupa branca exigida pelo torneio. A solução foi entrar na quadra vestindo o conjunto de calça e moletom vermelho e explicar para a platéia o motivo. No dia seguinte, Esther recebeu dezenas de uniformes de presente.
Pódio
- Tricampeã individual e pentacampeã de duplas em Wimbledon.
- Tricampeã de duplas mistas em Roland Garros.
- Tetracampeã de simples e tetracampeã de duplas US Open Tennis.
- Primeira mulher a vencer um Grand Slam de duplas.
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