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4) Oscar Schimidt
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Espreguiçado num banco de praça, o jovem astro da seleção brasileira de basquete espiou o céu estrelado de Zurique, capital da Suíça. Oscar Daniel Bezerra Schimidt tinha 21 anos e acabara de disputar a Olimpíada de Moscou (1980). Pegou a mochila e foi conhecer a Europa, mas o dinheiro era curto: US$ 400 para viajar oito dias por França, Suíça e Inglaterra. Afoito, resolveu esquiar nos Alpes suíços. Resultado: o aluguel do equipamento raspou as reservas monetárias do viajante. Em Zurique, quando se deu conta, não tinha como pagar hotel. "Lá pelas 4 horas da manhã, estava na praça sem saber o que fazer. Deitei num banco e dormi ao relento", lembra Oscar. Sobraram US$ 100 para chegar a Londres e se hospedar três dias numa pensão baratinha, onde a diária não era mais de US$ 10.
Espinhas no rosto
Filho de um oficial da Marinha e professor universitário, o maior jogador do basquete brasileiro de todos os tempos quase foi nadador. Uma febre reumática, aos 12 anos, quando ele ensaiava as primeiras braçadas no América de Natal (RN), onde nasceu, interrompeu o sonho. Um ano depois, mudou com a família para Brasília e se jogou de corpo e alma no basquete. Com 2,04 m de altura e 106 quilos, em mais de 20 anos de carreira, superou a marca de 41 mil pontos, foi cestinha de três Olimpíadas (participou de cinco), derrubou os americanos em jornada histórica no Pan-Americano de Indianápolis (1987), encantou italianos e espanhóis durante 13 anos e bateu inúmeros recordes, como a marcação de 74 pontos num só jogo. Seu primeiro time foi o Unidade Vizinhança, da capital federal, e o primeiro técnico, um japonês chamado Laurindo Miura, que inventava exercícios para aprimorar a coordenação motora do rapaz cheio de espinhas no rosto e treinava exaustivamente as técnicas de arremesso, com óbvio e estrondoso sucesso. Aos 15 anos, foi para o Palmeiras. Não demorou a ser titular também na seleção brasileira adulta e trocar de time, indo para o Sírio, onde conquistou todos os títulos imagináveis, incluindo o Mundial Interclubes, em 1979. Em 1982, Oscar botou o pé na Europa, dessa vez, sem precisar dormir num banco de praça.
Milagre
Em 1987, o basquete brasileiro alcançou o maior triunfo de sua história. Ganhou os Jogos Pan-Americanos de Indianápolis jogando a final contra os favoritos donos da casa, os temíveis americanos. "Em 106 anos de basquete, foi a primeira e única vez que os Estados Unidos perderam em casa. Foi como ganhar uma Olimpíada e tudo isso graças ao Oscar", afirma Ary Vidal, técnico do Brasil na época. O Brasil perdia por 20 pontos no final do primeiro tempo, quando Oscar e Marcel, líderes do time, comandaram a reação. "Quando o impossível vira realidade, aí está o milagre do esporte", diz Oscar.
Em 1995, voltou ao Brasil e, além de continuar jogando, foi secretário de Esportes da Prefeitura de São Paulo e conquistou 5.752.202 votos quando concorreu sem sucesso a senador, no ano passado, pelo PPB. "Pensaram que o meninão do basquete não era bom de voto, acho que surpreendi". Apesar de reclamar da política que o afasta da família (é casado com Cristina há 18 anos e pai de Felipe, 13 anos, e Stephanie, 9), pretende jogar mais quatro anos. Para esse recordista do esporte mundial, faltou apenas atuar na NBA (a liga americana de basquete profissional). Convites não faltaram em 1984 e 1985. "Naquela época, quem participasse de liga profissional não podia defender a seleção nacional. Optei pelo Brasil, e não me arrependo. Se tivesse optado pela NBA e abandonado a seleção, os leitores de ISTOÉ não teriam me escolhido um dos quatro esportistas brasileiros do século. Um título como esse não tem dinheiro que pague."
Você sabia?
Certa vez, Oscar comeu 66 bombons Sonho de Valsa e foi parar no hospital com infecção intestinal. "Sou um comilão inveterado, mas hoje não passo de dez bombons por dia", brinca o campeão.
Pódio
- Medalha de Ouro no Pan-Americano de Indianápolis (1987).
- Mais de 41 mil pontos, recorde do basquete mundial (1998).
- Campeão sul-americano e mundial interclubes pelo Sírio (1979).
- Cestinha de três Olimpíadas (Seul em 1988, Barcelona em 1992, Atlanta em 1996).
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