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8) Walther Moreira Salles
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Quando
fez a primeira viagem aos Estados Unidos, aos 27 anos, Walther Moreira
Salles era diretor da Companhia Brasileira de Café, recém-criada
pelo pai, João Salles, em 1938. A intenção
era vender o produto aos clientes americanos, mas ele estava mais
interessado em experimentar a última palavra em transportes:
o hidroavião, um monstrengo que voava a cerca de 500 metros
de altura e mal chegava aos 150 quilômetros por hora. Do Rio
de Janeiro a Miami foram cinco dias de viagem, com escalas em outras
15 cidades. O resultado da viagem não poderia ter sido mais
desastroso, do ponto de vista dos negócios. Walther não
conseguiu fechar nenhuma transação porque as operações
da Bolsa de Café americana haviam sido suspensas. O motivo?
Do outro lado do Atlântico, os estrondos de bombas denunciavam
o início da Segunda Guerra Mundial.
O episódio
é curioso porque esta foi uma das raras vezes em que não
deram certo os negócios de Walther, mineiro de Poços
de Caldas, nascido a 28 de maio de 1912. Pudera, ele foi acostumado
a lidar com o comércio desde criança, quando passava
as tardes atendendo clientes e arrumando prateleiras no armazém
do pai. O velho João mandou o filho estudar em São
Paulo, no Colégio Liceu Franco Brasileiro. Ficou contente
quando, alguns anos depois, Walther informou que pretendia estudar
Direito. Mas sabia que o futuro do rapaz estava em dar prosseguimento
aos negócios familiares. Walther não havia se formado
ainda quando virou sócio do pai na Casa Bancária Moreira
Salles, o novo ramo em que João se havia aventurado pensando
exclusivamente em financiar os produtores de café. Nas mãos
de Walther, o banco prosperou e, em pouco tempo, virou um banco
respeitável, com clientela até no Rio de Janeiro.
Faltava enfrentar os grandes bancos da capital paulista, cidade
que centralizava já na época o mercado financeiro,
o que não demorou a acontecer.
Negociando
com o FMI
O sucesso do banco nas principais capitais do País foi a
alavanca para a entrada na cena política. Com a posse do
presidente Getúlio Vargas, em 1951, Horácio Lafer
foi nomeado ministro da Fazenda e convidou Walther para dirigir
a Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc), embrião
do atual Banco Central. No ano seguinte, assumiu o posto de embaixador
em Washington (EUA) e, em sintonia com Horácio Lafer, tentou
obter mais financiamento para o País. O resultado foi desanimador.
Em 1953, o governo americano declarou que não concederia
empréstimos para o Brasil. Abalado pelo insucesso das negociações,
não restou a Walther outra alternativa senão retomar
suas atividades como empresário, que, afinal, iam de vento
em popa.
As incursões
diplomáticas lhe renderam a fama de conciliador e Juscelino
Kubitschek não pensou duas vezes em chamá-lo para
assumir, novamente, a embaixada brasileira em Washington, em 1959.
Com Jânio Quadros no Palácio do Planalto, o nome do
banqueiro mineiro voltou a ser lembrado. Desta vez não para
ocupar qualquer pasta, mas para auxiliar na renegociação
da dívida externa brasileira. Mesmo fora do governo, firmou,
ao lado do então embaixador Roberto Campos, um dos melhores
acordos que o País já vira até então.
Além de prorrogar os prazos de pagamento, ainda arrancou
dos americanos novos financiamentos.
Em 1961, Walther
visitava um amigo numa fazenda em Itatiba (SP) quando soube, pelo
rádio, que Jânio havia renunciado. Estabeleceu-se o
impasse: os militares não aceitavam a posse do vice, João
Goulart. A solução foi costurada com a saída
parlamentarista - Tancredo Neves seria o primeiro-ministro. Em agosto,
em meio à confusão, o presidente da Varig, Ruben Berta,
veio ao encontro de Walther. "O presidente faz questão
de ter uma conversa com você", disse Berta. "Qual
presidente?", quis saber o banqueiro. Referia-se a Jango, que
acabara de aceitar o parlamentarismo. Todos os aeroportos estavam
fechados e Berta precisou montar uma operação de guerra
para chegar a Jango em Porto Alegre. Embarcaram escondidos em um
hangar e, sob o pretexto de socorrer um avião em pane, conseguiram
decolar. Às dez da noite, a aeronave pousava às escuras,
numa pista iluminada por faróis de automóveis. "Quero
que tu aceites ser o ministro da Fazenda", disse Jango. O banqueiro
relutou, mas acabou -aceitando. "Você me arruma um avião
para voltar a Itatiba?", perguntou a Berta. "Agora é
impossível, a Aeronáutica está derrubando todo
o aparelho que segue para o Norte. Mas coloco-o num avião
para Buenos Aires e de lá você parte para São
Paulo num vôo internacional", sugeriu o presidente da
Varig. "Só há um problema, estou sem dinheiro",
retrucou Walther. Foi preciso que Jango pusesse a mão no
bolso e emprestasse US$ 250 para o banqueiro.
Amante das
artes
De volta à atividade empresarial, após deixar o governo,
articulou a compra do banco Predial e do Agrícola e Mercantil.
Em 1967, o grupo passou a se denominar União de Bancos Brasileiros
e, finalmente, em 1975, ganhou sua cara mais famosa: Unibanco. Quando
o pai morreu, em 1968, Walther assumiu em definitivo o comando da
instituição. Hoje com 87 anos, casado e pai de quatro
filhos - um deles é o cineasta Walter Salles Jr., de Central
do Brasil -, é um amante das artes. Desligou-se do banco
em 1991 para dedicar-se exclusivamente às atividades culturais
à frente do Instituto Moreira Salles.
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