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7) Sebastião Camargo
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Sebastião
Camargo, o fundador da construtora Camargo Corrêa, viveu umbilicalmente
ligado à terra e preservou os costumes sertanejos. Sempre
com um cachimbo na boca, reservava os fins de semana para se atirar
no mato. Não era raro ele se aventurar em caçadas
no Mato Grosso. Podia-se medir a paixão observando a coleção
particular de animais empalhados na fazenda em Jaú (SP),
cidade em que nasceu a 25 de setembro de 1909. Pelo menos uma vez
por ano embrenhava-se em alguma selva africana. Tudo mudou radicalmente
em 1988, quando o caçador quase virou caça. Ao deparar
com um leão, ele mirou a fera e errou o alvo. O felino correu
em direção ao empresário e, não fosse
a providencial ajuda do guia, que liquidou o animal faminto com
um tiro certeiro, a diversão teria terminado em tragédia.
"Ele dedicou-se ainda à criação de javalis,
patos, gado e cavalos", disse a ISTOÉ o amigo e ex-funcionário
João Mattos.
Sebastião
Ferraz de Camargo Penteado era filho de agricultores e estudou só
até o terceiro ano primário. Aos 17 anos, aprendeu
a transportar terra retirada de construções usando
uma carroça puxada por um burro. Tomou gosto pelo negócio
e, em 1939, comprou duas carroças. Com a pá em punho
e as rédeas nas mãos, Camargo ajudou a construir as
estradas que se multiplicavam pelo interior de São Paulo
na época.
Logo aprendeu
a técnica da terraplenagem e se transformou num modesto empreiteiro.
Quando conheceu o advogado Sylvio Corrêa, ainda em 1939, abriu
com ele uma pequena construtora, a Camargo Corrêa & Cia
Ltda. Engenheiros e Construtores, com um capital de 200 contos de
réis. Como eles nada entendiam de engenharia, a palavra "engenheiros"
foi usada para salientar que os empreendedores estavam dispostos
a qualquer empreitada. E trabalho não faltava. Em 1940, Camargo
adquiriu um trator, o que significou grande vantagem tecnológica
em relação à concorrência. Os contratos
se avolumaram. O astuto "Bastião", como era chamado
pelos mais íntimos, ou "China", para a maioria,
devido aos traços orientais de seus olhos, não admitia
homem barbudo, cabeludo ou desquitado na firma. Certa vez, um engenheiro
que não fizera a barba, sem saber da implicância do
seu Bastião, candidatou-se a uma vaga na construtora e foi
reprovado. Inconformado, procurou um psicólogo para entender
a importância da barba num processo de seleção.
Em Jaú, Camargo fundou a tecelagem Companhia Jauense Industrial
porque queria proporcionar trabalho a seus conterrâneos. Conseguiu
mais do que isso - transformou a empresa numa grande produtora de
tecidos.
Nos anos 50,
a construção de Brasília era o sonho maior
do empreiteiro. Ao participar da licitação, ouviu
de um assessor do presidente Juscelino Kubitschek que a Camargo
Corrêa não tinha máquinas em número suficiente
para encarar as obras da nova capital. "Pois então me
dê três dias e eu provo que o senhor está enganado",
respondeu, contrariado. Quando o prazo expirou, o empresário
desfilou pelo cerrado com mais de 100 tratores vindos de seus canteiros
de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Resultado: coube
à Camargo Corrêa a abertura de várias estradas
que possibilitaram o acesso à capital federal. Em 1960, JK
sugeriu que Camargo construísse um moinho de trigo para abastecer
Brasília. Preocupado com o rigor técnico que a tarefa
exigia, ele tratou de "importar" um especialista em moinho
da Suíça para garantir a qualidade do serviço.
Batizou-o de Moinho de Trigo Jauense. Em 1962, quando a empreiteira
construiu a hidrelétrica Usina de Jupiá, no rio Paraná,
uma das maiores do Brasil, concluída em 1968, a imponência
da obra obrigou que uma cidade fosse construída ao seu redor
para alojar os 12 mil funcionários.
Nos anos 70,
a construtora entrou na licitação para as obras da
ponte Rio-Niterói e tirou o segundo lugar. Até parece
que rogou uma praga. Morte de pedreiros e desmoronamentos em meio
à construção da ponte obrigaram o presidente
Emílio Garrastazu Médici a pedir ao audacioso empreiteiro
que assumisse a obra. "Pois não, senhor presidente,
mas vou fazer do meu jeito. Vou começar derrubando tudo e
partir do zero", respondeu Camargo.
Bilionário
A empresa foi responsável por mais de mil obras (incluindo
as rodovias Imigrantes e Bandeirantes, o gasoduto Brasil-Bolívia,
além da usina nuclear de Angra I e as hidrelétricas
de Ilha Solteira, Itaipu e Tucuruí). A partir dos anos 90,
Camargo passou a fazer parte da lista de bilionários da revista
Forbes e sua fortuna pessoal foi avaliada em US$ 1,3 bilhão.
Era casado e tinha três filhas e 11 netos. O controle da holding
Morro Vermelho, que abrangia 34 empresas dos mais variados setores,
incluindo agricultura, siderurgia, têxtil, alumínio
e transporte, passou para os genros logo após sua morte por
insuficiência respiratória, a 26 de agosto de 1994.
VOCÊ
SABIA?
Na construção de Itaipu, quase provocou um atrito
diplomático. A Camargo Corrêa não havia sido
aceita para a obra do lado brasileiro. O ditador paraguaio Alfredo
Stroessner, amigo de pescaria do construtor, protestou: "Onde
está Don Sebastián?" Ameaçou melar o negócio,
obrigando o governo brasileiro a contratar a Camargo Corrêa
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