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6) Rolim Amaro
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dos votos
O
crachá na lapela do paletó indica, em letras grandes
e na foto bem visível, quem está chegando. Fala alto
e desliza as mãos sobre os cabelos alinhados, que escondem
um arrependimento. "Certa vez, alguém gozou a minha
calva na praça da República, no centro de São
Paulo. Arrisquei um implante capilar, mas a cirurgia doeu demais.
Foi uma bobagem", disse ele a -ISTOÉ. No melhor estilo
interiorano, que confessa adorar, Rolim Adolfo Amaro - ou simplesmente
o comandante Rolim - vai narrando seus causos, uma infindável
sucessão de aventuras.
"Coisa
de vagabundo"
O carregado sotaque caipira remete à tranquilidade de Pereira
Barreto, cidade do oeste paulista onde ele nasceu a 15 de setembro
de 1942. Aos seis anos, Rolim já ganhava os ares no colo
do tio, dono de um monomotor. Menos afeito a peripécias,
o pai tocava a vida com o armazém de secos e molhados em
São José do Rio Preto, para onde se mudara. O rapazote
abandonou a escola na sétima série para ajudar nas
despesas de casa. Foi assistente de mecânico, aprendiz de
escrevente em cartório e entregador de sanduíches,
mas o vírus da aviação estava no organismo.
A lambreta comprada com o salário minguado serviu para pagar
o curso de piloto, que ele concluiu aos 18 anos. Se o primeiro brevê
Rolim nunca esquece, o segundo quase não saiu. Às
vésperas de fazer o exame para piloto privado, o aeroclube
inventou uma taxa de dez cruzeiros. Sem um tostão, ele viajou
200 quilômetros de trem e de carona para recorrer a outro
tio, fazendeiro no interior paulista. Teve que dar meia-volta. "O
sonho de sua mãe era vê-lo como balconista das Casas
Pernambucanas e você desistiu. Preferiu ir atrás da
aviação, coisa de vagabundo e louco. Vá trabalhar."
Tomou, enfim,
o dinheiro emprestado de um amigo, o que permitiu ao comandante
trabalhar na TAM (Táxi Aéreo Marília) e na
Vasp, até receber uma proposta tentadora, em 1966. "Fui
para a Amazônia ser piloto particular. Em troca, recebi financiamento
para a compra do meu primeiro Cessna", lembra. De um pouso
emergencial numa estrada em Minas ao transporte de uma tribo de
xavantes para um lugar perdido na selva, Rolim realizou uma série
de façanhas. Na falta de estradas, até os animais
eram levados de avião às fazendas. "As mulas
eram drogadas e tinham as patas amarradas. Depois entravam na aeronave
e ficavam com metade do corpo para fora. Se durante o vôo
alguma delas acordava, tinha que jogá-la. Era a mula ou o
avião." Para engrossar o orçamento, vendia roupas
e radinhos de pilha num armazém em São José
do Xingu (região do Araguaia), de onde comandava a empresinha
que montara. "Em dois anos comprei dez monomotores, mas desisti
quando tive a sétima crise de malária. Já perguntava
aos passageiros qual das duas pistas que eu enxergava era a verdadeira."
O empresário
Rolim decolou em 1972, ao adquirir metade das ações
da TAM - compraria a outra metade quatro anos depois. Entrou na
onda de um mercado em franca expansão, mas ninguém
duvida que foi o olho do dono que fez o boi engordar. Dirige uma
companhia aérea que fatura R$ 800 milhões por ano
e faz 550 pousos e decolagens diários.
Até
conquistar o céu, enfrentou dificuldades. Uma delas foi a
descoberta de um tumor na garganta, em 1992, extirpado em três
cirurgias nos Estados Unidos. A segunda o deixou deprimido por quase
um ano. Em 1996, a queda de um Fokker-100 que fazia a ponte Rio-São
Paulo causou a morte de 99 pessoas. Nove meses depois, outro passageiro
morreu quando uma bomba explodiu no avião que fazia o trajeto
São José dos Campos-São Paulo (um professor
é o principal suspeito do suposto atentado).
Em todos os
momentos, Rolim encontra o amparo de Noemi, sua esposa há
34 anos. O caçula dos três filhos, Marcos, 15 anos,
é fruto de um romance furtivo. "Todo homem está
sujeito a um acidente de percurso, mas eu seria um calhorda se não
assumisse o menino." A família não desfruta de
muito tempo para vê-lo. Geralmente, o comandante chega em
casa só às dez da noite, toma uma sopa de aveia e
vai para a cama. Nas raríssimas horas vagas, compõe
modas de viola, gravadas, entre outros, por Fafá de Belém.
"Não gosta de badalações, mas não
resiste a um convite para andar de moto", contou a ISTOÉ
o amigo Luciano do Valle. Aí o locutor esportivo pegou em
seu ponto fraco. Dono de 13 maquinões de duas rodas, Rolim
às vezes vai rodando à fazenda em Ponta Porã
(MS) e se atreveu até a cruzar a Cordilheira dos Andes em
cima de uma motocicleta. Para quem desde os seis anos de idade vive
nas nuvens, isso é brincadeira de criança.
VOCÊ
SABIA?
Deu um tapa com luva de pelica num passageiro cara-de-pau que surrupiara
uma garrafa de uísque no avião. "Vou levar para
casa. Foi o melhor que já bebi." Rolim enviou-lhe uma
carta junto com meia dúzia de garrafas da bebida: "Isto
é para o senhor tomar antes de cada viagem conosco. Grato
pela preferência."
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