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5) Antonio Ermírio de Moraes
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Uma
lição Antonio Ermírio jamais esqueceu. "Era
garoto quando ameacei matar uma andorinha. Meu pai tinha um vizinho
alemão, robusto e defensor da natureza, que tomou o estilingue
da minha mão. Nunca mais pensei em matar uma mosca sequer",
contou ele a ISTOÉ. Sorte de poucos, um império já
o esperava quando nasceu, a 4 de junho de 1928, em São Paulo.
Alfabetizado no tradicional colégio Rio Branco, decidiu seguir
a trilha do pai, José Ermírio de Moraes. Em 1945,
partiu para o Colorado, nos EUA, para se formar engenheiro metalúrgico
na mesma faculdade do patriarca, a Colorado School of Mines. "No
dia da minha viagem chovia muito. Os passageiros estavam com os
pés lambuzados de lama e o avião decolou com o chão
forrado de jornal." Da temporada americana, ele se lembra com
nostalgia. "No Natal fui convidado para jantar na casa do professor
que eu mais gostava. Isso foi a maior honraria que já recebi
na vida." Apelidado de Tony pelos colegas americanos, viveu
quatro anos num quarto de pensão ao preço de US$ 10
ao mês. Para economizar, comeu muito sanduíche. Certo
dia, um amigo veio correndo lhe contar que ele havia tirado a maior
nota da turma, 97. No único dia em que provou uísque
na vida, o empresário descobriu que havia nascido com um
rim só. Foi socorrido no hospital americano e saiu de lá
com a seguinte recomendação: beber muita água.
O retorno ao
Brasil, em 1949, não foi tão amistoso como ele esperava.
Assim que o pai pôs os olhos no filho em casa, alertou: "Há
muito trabalho pela frente. Vou lhe dar um salário e fazer
uma experiência com você. Se não der certo, não
vou lhe contratar." No mesmo dia Antonio Ermírio encarou
seu primeiro dia de trabalho numa das fábricas do grupo Votorantim.
Bastaram seis
anos para ele anunciar sua primeira vitória, a fundação
de sua própria firma, a Companhia Brasileira de Alumínio,
em 1955. Em 1962, Antonio Ermínio assumiu todas as empresas
e o grupo não parou de crescer. Inaugurou fábricas
de cimento, zinco e níquel. Sem reclamar, ele diz que desde
que pisou na Votorantim não tira férias. "Mas
minhas viagens de trabalho têm sabor de aventura." Nos
anos 70, estava no Ceará em busca de jazidas de cobre. A
ausência de restaurantes o obrigou a passar 15 dias comendo
fruta-de-conde.
Terno surrado
Em 1986, abocanhou 1,1 milhão de eleitores concorrendo ao
governo do Estado de São Paulo pelo PTB - perdeu para Orestes
Quércia. "Meu pai dizia que política é
suja para um homem de empresa e eu o desobedeci", disse o empresário,
que se desculpou ajoelhado ao túmulo do pai. Há dez
anos investe no teatro. Brasil S/A, peça de sua autoria
que estreou em 1996, foi escrita quando ele viajava para Londres,
nas 18 horas do vôo. Pediu alguns guardanapos de papel e em
cima do cardápio escreveu a peça que já estava
em sua mente há tempos. "Para escolher o nome de um
dos personagens, abri o cardápio. A primeira palavra que
li foi camarão. É isso, o meu personagem se chama
Camarão!"
Casado com Maria
Regina e pai de nove filhos, é um homem de hábitos
simples. Costuma ouvir atento os pedidos de emprego que recebe ao
ser reconhecido nas ruas. Dispensa seguranças, não
usa carro blindado e - dizem as más-línguas - veste
sempre o mesmo terno surrado. Nem aparenta o empresário que,
em 1996, foi apontado pela revista americana Forbes como
um dos mais ricos do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 5 bilhões.
VOCÊ
SABIA?
Tomou banho num hotel de beira de estrada em Juazeiro (BA). O "chuveiro"
era uma lata com furos por onde escorria a água e o chão
limboso exigia que ele usasse meias. Ao desligar o "chuveiro",
cortou a mão. Sem hospital por perto, um senhor costurou
o ferimento com linha e agulha. "Ficou uma perfeição"
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