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O Brasileiro do Século

19) Aloysio Faria
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Os vidros blindados do luxuoso Ômega azul denunciam que o passageiro não é qualquer um. Quatro imponentes carrões fazem a escolta, carregando seguranças prontos para reagir a uma tentativa de assalto ou sequestro. Parece exagero, mas quando se trata de Aloysio Faria, um dos empresários mais bem-sucedidos do País, é melhor prevenir do que remediar. Ele vendeu no ano passado o Banco Real por US$ 2 bilhões para o holandês ABN-Amro. Além de aplicar a bolada no mercado financeiro, o que resulta em ganhos astronômicos num país onde os juros costumam alcançar a estratosfera, Faria cuida do Banco Alfa e mais 18 empresas, entre elas, a rádio Transamérica e a rede de sorveterias La Basque.

Medicina
Aloysio de Andrade Faria nasceu a 9 de novembro de 1920, em Belo Horizonte. Em 1925, o pai, Clemente Soares Faria, fundou com alguns amigos a Cooperativa de Crédito, numa modesta casa da capital mineira, que no futuro ganharia a dimensão do próspero Banco da Lavoura de Minas Gerais. O rapazote poderia simplesmente ocupar um posto privilegiado no banco do pai, mas preferiu cursar Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais. Formou-se em 1944 e chegou a cursar pós-gra-duação nos Estados Unidos, mas ao retornar ao Brasil desistiu de exercer a profissão de doutor.

Com o intuito de disputar o bolso dos clientes paulistanos, Clemente Faria transferiu a sede do banco da capital mineira para São Paulo, em 1945. Os depósitos se multiplicaram de tal forma que a instituição financeira se transformou na quinta maior do País. Em 1948, a morte do patriarca fez de Aloysio, que já ocupava uma cadeira na diretoria, o novo manda-chuva. Como acreditava que as palavras "rural" e "lavoura" poderiam restringir a clientela unicamente a fazendeiros, sua primeira medida foi mudar o nome do empreendimento para Banco Real.

Ainda nos anos 40, o banco financiou a construção do porto de Vitória, no Espírito Santo. Em meados dos anos 50, a desapropriação de terras para a construção de Brasília também foi viabilizada pela instituição. O Real foi o primeiro banco a se instalar na cidade que surgia no cerrado. O pioneirismo se repetiu quando Aloysio abriu a primeira agência de um banco brasileiro em Nova York, em 1964. Foi ainda o responsável por uma inovação do sistema bancário: criou uma escola para a formação de gerentes e começou a conceder empréstimos de Natal para os funcionários. Em 1998, vendeu o Banco Real, com 1,4 mil agências e 17 mil funcionários. O grupo financeiro remanescente tem patrimônio líquido de R$ 700 milhões, ativos de R$ 5 bilhões e administra recursos de R$ 4 bilhões.

VOCÊ SABIA?
O lazer do banqueiro é cuidar dos cavalos. Aloysio Faria tem um haras e foi o fundador da Associação dos Criadores de Cavalos Árabes de São Paulo, em 1964, à qual ainda se dedica.