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O Brasileiro do Século

17) Abraham Kasinski
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Aos 82 anos, Abraham Kasinski esbanja a disposição de um iniciante no meio empresarial. Passa 12 horas por dia no escritório em São Paulo e, nos fins de semana, respira trabalho. Liga para a casa dos funcionários e chama os assessores para o batente. Depois de fundar e presidir durante quatro décadas a Cofap, maior indústria de autopeças brasileira, ele vendeu suas ações da empresa em 1997. Com US$ 25 milhões no bolso, bem que tentou curtir a aposentadoria. "Lia três jornais por dia. No final da tarde, estava lendo até obituário e classificados sexuais, disse ele a ISTOÉ. Como dar fim ao tédio? Comprou uma fábrica na zona franca de Manaus, passou a produzir motocicletas e emprestou o sobrenome para dar credibilidade aos veículos de duas rodas.

Nascido a 11 de julho de 1917, na capital paulista, Kasinski é o caçula de quatro filhos de um casal de imigrantes russos. Criado na loja de autopeças do pai - que ele garante ter sido a primeira do Brasil -, o empresário "aumentou" a idade em dois anos para poder cursar a faculdade de Economia. "A carteirinha também servia para ver filme proibido para menores." Em 1951, ele pressentiu que a empresa estava com os dias contados se continuasse dependendo de produtos importados. Convenceu um dos irmãos - o pai já falecera - a investir numa fábrica e com ele criou a Cofap. "Ninguém queria comprar peça nacional. Corri o Brasil, cidade por cidade, para catequizar os mecânicos", lembra. No início dos anos 90, a Cofap chegou a empregar 18 mil trabalhadores e exportar para 97 paí-ses, com faturamento anual de US$ 1 bilhão.

Briga de família
Nem a recente abertura econômica afetou os balanços positivos da empresa. Para o industrial - que mantém um parque ecológico e uma fundação com escola e centro de pesquisa -, o problema eram as desavenças com os dois filhos e os sobrinhos pela sucessão na presidência. Um dia, cansou das brigas e vendeu sua participação de 11% nas ações. Casado pela segunda vez, só agora começa a se reaproximar da família. O empresário octogenário não planeja sossegar tão cedo. "Quando o 'patrão' me chamar eu espero estar sentado atrás da mesa de trabalho. Mas não vou aceitar um convite Dele tão facilmente", diz este jovem senhor que, até dez anos atrás, fumava três maços de cigarro por dia e hoje não suporta cheiro de tabaco.

VOCÊ SABIA?
Corintiano roxo, num jogo entre São Paulo e Palmeiras torceu para o tricolor, claro. "Me enganei e fui parar na torcida palmeirense. O São Paulo fez um gol, comemorei e me olharam feio. No segundo, avisei que era corintiano e não são-paulino. Foi pior: me quebraram todo"