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16) Cláudio Bardella
22,82%
dos votos
Um
repórter perguntou a Cláudio Bardella, durante uma
coletiva, em 1974, se ele era a favor da legalização
do Partido Comunista. Como se estivesse dizendo a coisa mais óbvia
do mundo, respondeu que sim, "pois, se queremos democracia,
ela tem de ser para todos." Na fase mais dura do regime militar,
era a primeira vez que um empresário brasileiro ousava dar
tais declarações. "No jantar depois da entrevista,
as pessoas desviavam de mim, como se eu fosse um mau elemento e
tivesse ligações com o Partidão, o que não
era verdade", disse ele a ISTOÉ. A fama de esquerdista
vinha desde 1972, quando governava Emílio Garrastazu Medici.
O empresário liderou a visita de uma delegação
brasileira à República Popular da China e ficou marcado
pela linha dura dos militares. Mas a visita foi o primeiro passo
para que as relações diplomáticas entre os
dois países melhorassem.
Liderança
As lições de democracia ele aprendeu na marra. Até
as vésperas do golpe militar de 1964, não queria nem
saber de política. Estava mais preocupado em tirar do buraco
a Bardella S.A. - a mais antiga indústria mecânica
do País, fundada em 1911 por seu avô, Antônio
Bardella. Mas após o golpe, passou a dizer o que bem entendesse.
"Nosso setor era respeitado e dificilmente eu sofreria represálias.
Assumi uma certa liderança, defendendo a abertura para o
bem das classes produtoras, mas não sei fazer política",
diz. No entanto, sabe bem como criar polêmicas. Em 1977, por
exemplo, foi um dos autores do Documento dos Oito, assinado por
pesos pesados da indústria nacional, que criticava a crescente
estatização. "O País virou um feudo de
estatais associadas a multinacionais, enquanto a nossa iniciativa
privada ficou a ver navios."
Quem o ouve
falando manso nem sequer imagina as inúmeras crises que suportou
no comando da empresa durante 40 anos. Paulistano nascido a 23 de
novembro de 1938, assumiu a Bardella S.A. antes de concluir o curso
de Engenharia Industrial Mecânica na PUC de São Paulo.
Quis ajudar o pai, Aldo Bardella, a passar por mais uma etapa difícil.
"Ainda bem que eu não vivi a pior das crises, em 1929.
Se hoje faço acupuntura para suportar a barra, não
teria aguentado naquele tempo." A Bardella S.A. mantém-se
firme e forte até hoje, embora as perspectivas não
sejam das melhores. "Do jeito que as coisas vão, tudo
tende a piorar", afirma. Cláudio se queixa do atual
momento político do País, mas não esconde que
votou em Fernando Henrique. Arrependido ou não, disposição
para discutir os rumos da indústria nacional não lhe
falta. É membro do Instituto de Estudos de Desenvolvimento
Industrial (Iedi), mas não alimenta ilusões. "Não
temos força para vender nossas idéias porque o Brasil
caiu no canto da sereia. Ainda não estamos preparados para
a globalização."
VOCÊ
SABIA?
Pescador apaixonado, histórias não faltam no repertório.
"O maior que pesquei foi um marlin azul, o mesmo do livro O
velho e o mar, de Ernest Hemingway." Verdade ou não,
ele diz que o animal pesava 240 quilos.
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