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O Brasileiro do Século

11) Jorge Gerdau Johannpeter
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A praia deserta próxima a Garopaba, no litoral de Santa Catarina, é o refúgio do homem de aço. Quando o mar é favorável, Jorge Gerdau Johannpeter, 62 anos, dono de 16 siderúrgicas que faturam R$ 2,27 bilhões por ano, produzindo 6,6 milhões de toneladas de aço no Brasil, na Argentina, no Uruguai, no Chile e no Canadá, pode ser visto quebrando as ondas no paraíso particular. Não é um surfista desajeitado. Pelo contrário, já que - na década de 50 -, juntamente com o irmão Frederico, Gerdau foi um dos pioneiros do surfe no Sul do País. "Eram pranchões de madeira que mandávamos trazer de Copacabana, no Rio de Janeiro. Pegávamos o impulso da onda com um pé só", contou ele a ISTOÉ. "O esporte prepara para enfrentar desafios. É a psicose de bater recordes. Sou um ser competitivo e fanático pela qualidade."

Os Gerdau que saíram de Hamburgo, na Alemanha, com destino ao Brasil, em 1869, eram igualmente fanáticos pela superação. "Existia a disposição de tomada de risco, de aventura", afirma o empresário. O bisavô João era agricultor e dono de um armazém que abastecia a colônia alemã fixada em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Em 1901, João abriu em Porto Alegre uma fábrica de pregos com o filho Hugo. Era uma empresa familiar estável que só passou a enfrentar dificuldades para obter matéria-prima nos anos 40 por causa da Segunda Guerra Mundial.

Nessa altura, o comando estava nas mãos do alemão Curt Johannpeter, genro de Hugo, que num lance audacioso comprou a Siderúrgica Riograndense para solucionar o suprimento de aço e produzir os pregos. Para isso, vendeu vários imóveis acumulados em dezenas de anos. "Foi um passo bastante corajoso, porque rompeu o conceito histórico de empresa pobre-família rica", relata Gerdau.

Visão pragmática
O velho Curt era um sujeito gentil, mas inflexível. Negava-se a assinar uma carta se a datilografia não fosse impecável. Para preencher os postos importantes, mais do que o parentesco, importava a dedicação profissional. "Quem os desejar que apresente suas credenciais. Vencerão os mais capazes", dizia. Jorge Johannpeter Gerdau, terceiro filho de Curt -, nasceu a 8 de dezembro de 1936 - entendeu o recado. Aos 14 anos, no período de férias escolares, debutou na fábrica operando as máquinas de produzir pregos. "Construí uma visão extremamente pragmática graças ao convívio com os operários." Depois, passou a estudar contabilidade à noite, enquanto trabalhava à tarde no escritório aprendendo a tirar notas fiscais. Com 20 e poucos anos, estudante de Direito, já integrava a Federação das Indústrias gaúchas. Formou-se em 1961 - "Fui o único sucateiro da turma, os demais saíram desembargadores", brinca - e passou por todas as áreas da empresa até assumir a presidência do grupo em 1983.

Desde a década de 60, quando auxiliava o pai na condução dos negócios, tinha claro que o dilema era crescer ou definhar. A expansão iniciou com a compra da Fábrica de Arames São Judas (SP). Depois, foi a vez da Siderúrgica Açonorte (PE). Em 1972, assumiu a Companhia Siderúrgica da Guanabara (Cosigua). A partir daí, o grupo não parou mais. "Assim como, há 30 anos, entendia que era preciso sair do Rio Grande, hoje estou convencido de que é necessário ultrapassar a fronteira do País para não perder a competitividade." A Gerdau é hoje a 35ª no ranking mundial da siderurgia.

Busca de eficiência
Gerdau lidera a Associação Qualidade RS, movimento que tenta agregar eficiência a instituições públicas e privadas. Reduziu, por exemplo, o tempo de espera para atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre de oito horas para 13 minutos. Investe ainda em arte, "pelo prazer que me dá", especialmente na Fundação Iberê Camargo, preservando a obra do artista plástico gaúcho. Sobra tempo ainda para tocar a Ação Empresarial Brasileira, que pretende achar uma saída econômica para o País. Tarefa difícil? Não para um surfista acostumado ao mar bravo. "Depois de enfrentar as ondas, não há plano econômico que assuste."

VOCÊ SABIA?
O hipismo é uma das paixões do empresário. Pratica o esporte desde os nove anos de idade. Como criador de cavalos da raça holstiner, orgulha-se de ter sido o único a colocar três animais e ganhar duas medalhas (de bronze) nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996. Um dos cavaleiros vencedores era o filho André.