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O Brasileiro do Século

EDITORIAL
Dívida social

O Conde Francesco Matarazzo - eleito o Empreendedor do Século pelos leitores de ISTOÉ - urbanizou bairros operários em torno de suas fábricas na capital paulista. Nos anos 10, no sertão de Alagoas, Delmiro Gouveia ergueu a Vila de Pedra. Eram 256 casas com energia elétrica e água encanada, regalia que a maior parte dos moradores das cidades não conhecia. Na crise de 1929, quando a Bolsa de Nova York foi a pique e levou junto a economia mundial, em São Paulo o industrial Luiz Dumont Villares reduziu os salários e equilibrou a empresa no fio da navalha, mas não despediu ninguém. Nos anos 70, o empresário e intelectual José Mindlin garantia aos funcionários de sua indústria de autopeças farta refeição. "Queria que tivessem do bom e do melhor, mas nunca de graça. Cobrava uma quantia ínfima, caso contrário, não dariam valor", explica. As lições documentadas neste fascículo deveriam inspirar um País que, às vésperas do século XXI, teima em ignorar as desigualdades. Além do arrojo e da perspicácia para realizar bons negócios, a consciência das mazelas -so-ciais é uma das virtudes essenciais dos grandes empreendedores.