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18) Júlio de Mesquita Filho
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O filósofo francês Jean-Paul Sartre, quando esteve no Brasil, em 1946, passou uma noite na fazenda de Julio de Mesquita Filho, em Louveira, interior de São Paulo. Depois de um farto jantar e longas horas de conversa com o anfitrião, foi convidado a conhecer o cafezal da fazenda. Mais tarde, impressionado, o filósofo virou-se para o escritor Jorge Amado, que o acompanhava em sua estada: "Como é que um homem tão reacionário e estreito como 'Monsieur Mesquitá', de repente, ao falar dos cafezais, se transforma num poeta tenro e amoroso?"
Sartre entendeu - ou não - por que históricos comunistas brasileiros como Jorge Amado e Luís Carlos Prestes tinham tanta admiração por Julio de Mesquita Filho, ou dr. Julinho, um homem que detestava, por antecipação, os regimes totalitários. Liberal convicto, este paulistano (nascido a 14 de fevereiro de 1892), quase sempre lembrado por seu conservadorismo, herdou do pai a paixão pela democracia, mas não desrespeitava as opiniões contrárias. Fiel aos seus princípios, empunhou armas e esteve na linha de frente em importantes momentos históricos brasileiros. Por sua rebeldia incontrolável, foi preso 17 vezes e exilado outras duas. "Conheço todas as prisões do Brasil", brincava. Na direção do jornal O Estado de S. Paulo durante quase quatro décadas (de 1927 a 1969), praticou um jornalismo apaixonado, inspirado nos moldes europeus, longe de ser isento e objetivo. Tribuna de discussão e conspiração política, nos tempos do dr. Julinho o Estado apoiou a Revolta de 32, ajudou a sufocar a Intentona Comunista de 35, sofreu nas mãos de Vargas, criticou o nazi-fascismo e sua versão tropical - o integralismo - e comemorou o golpe de 64.
Página Três
A primeira grande tarefa de Julio no jornal, quando ainda era dirigido por seu pai, foi cobrir a campanha de Ruy Barbosa para a Presidência da República, em 1919. A admiração pelo advogado era tanta que um de seus três filhos com a esposa, Marina Vieira de Carvalho, recebeu o nome de Ruy - outro, além de Julio Neto, chamou-se Luís Carlos, em homenagem ao Cavaleiro da Esperança. Mais tarde, chefiando a redação, afastou-se das reportagens. Preferia restringir-se aos famosos editoriais da página três, sempre em defesa exaltada da democracia. O último deles, "Instituições em frangalhos", foi publicado no dia do Ato Institucional nº 5, que de tão arbitrário encerrou os laços do dr. Julinho com o regime militar. Sete meses depois, em 12 de julho de 1969, operou uma úlcera gástrica e morreu, aos 77 anos, de complicações pós-operatórias.
Você sabia?
Passou anos sem saber que, como diretor de O Estado, tinha um salário menor que alguns editores. Foi preciso um de seus funcionários descobrir o absurdo e propor um reajuste para o proprietário. "Bem que eu achei que ganhava pouco, mas seria deselegante pedir um aumento para mim", comentou.
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