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8) Hebe Camargo
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Em casa, Hebe Camargo tenta ligar um moderno aparelho de som. Envolvida nos meios eletrônicos de comunicação há 56 anos, ela ainda sofre para fazer funcionar a engenhoca. Mexe em todos os botões sem sucesso. Um velho pedaço de papel, no qual, precavida, deixa anotado passo a passo tudo o que deve fazer para o aparelho dar o ar de sua graça, é a salvação. Neste instante, o silêncio do ambiente é quebrado por uma voz sedutora que se sobressai aos arranjos de uma refinada orquestra. "Adivinha quem está cantando?" Com um largo sorriso, Hebe deixa a nostalgia vir à tona.
Ela estreou como cantora aos 14 anos, na Rádio Tupi de São Paulo. Nascida a 8 de março de 1929, em Taubaté (SP), mudou com a família para a capital paulista aos seis anos e frequentou aulas de canto ainda mocinha. Na Rádio Tupi, foi logo contratada para integrar o elenco fixo da emissora. "Eu vestia um macacão bem confortável e chegava à rádio pedalando", contou a -ISTOÉ. Era uma garota tímida, que morria de medo que sua mãe descobrisse que havia beijado o namorado na boca. "Pensava que ela descobriria só de olhar meus lábios", conta ela. Nos anos 40, Hebe (uma morena vistosa de seios grandes) engatinhava na carreira quando gravou seus primeiros long-plays, Oh! José e Quem foi que disse? A repercussão lhe rendeu o título de "estrelinha do samba". Viajava para cantar no interior do País com a mãe a tiracolo. "Ela me acompanhava para guardar a minha virgindade."
Pneu furado
Nessa época, tinha um carro de segunda mão que sempre furava o pneu, muitas vezes em frente ao cemitério da Consolação. "Esperava um taxista passar para me ajudar." Em 1950, achou que era hora de tentar a sorte na televisão, recém chegada ao País. Os primeiros testes foram na Tupi. "Fui apelidada de monstro", diz. As sobrancelhas grossas e os longos cabelos não formavam um conjunto harmonioso na tela, segundo os avaliadores, e ela foi reprovada. "Fiquei arrasada mas depois descobriram que, aumentando a iluminação, a imagem melhorava", suspira.
Claro que não era só isso. O estilo descontraído e envolvente de se comunicar era sua grande arma. A estréia aconteceu num programa de 15 minutos na extinta TV Paulista (atual Rede Globo), Encontro musical, em 1952. Sua tarefa era apenas cantar, mas ela arriscou um diálogo com o telespectador. "Sinta a melodia e preste atenção na letra romântica. Fala de coisas que acontecem com qualquer um." Ao final do programa, os telefones não paravam de tocar.
O estilo de Hebe é único. Quando ela olha para a câmera e conversa com o público, a sensação é que ela está sentada no sofá da sala. Não há apresentadora de televisão mais popular no País. Mas houve um momento em que quase abandonou tudo. Em 1964, casada com o empresário Décio Capuano, pretendia se dedicar apenas ao lar. Que desperdício! Sua rotina resumiu-se durante um tempo em cuidar do filho, Marcelo. Mas a pressão do público foi irresistível. Em 1966, voltou para a tevê e comandou um programa de entrevistas na Record que marcou época. A partir daí, o sucesso não a largou mais. Hebe (hoje no segundo casamento, com o empresário Lélio Ravagnani) está há 12 anos no SBT. Religiosa, atribui o êxito a Deus e empresta aos amigos enfermos a imagem de Nossa Senhora da Aparecida, como fez há pouco com a mulher do amigio Roberto Carlos, Ma-ria Rita, que estava muito doente. "Olho para a minha santa e digo: 'Vá porque existem pessoas precisando de você'", afirma Hebe, com lágrimas nos olhos.
Você sabia?
Houve época em que tudo na televisão era feito ao vivo, até os comerciais. Certa vez, Hebe estava encarregada de alardear as maravilhas de um refrigerante que borbulhava. Para realçar o efeito, a produção jogou tabletes de Sonrisal no copo que a apresentadora tinha em mãos. Hebe não se conteve e soltou escandalosas gargalhadas. O diretor teve de tirar o som do programa até que ela voltasse ao estado normal.
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