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O Brasileiro do Século

20) Antunes Filho
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Se dependesse das experiências profissionais que adquiriu como aprendiz no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), na década de 50, o diretor de teatro Antunes Filho (nascido a 12 de dezembro de 1929 em São Paulo) não passaria de um copeiro de luxo muito culto. "Fui um grande buscador de café, varredor de palco e assistente que assistia a tudo", costuma dizer. Iniciou a Faculdade de Direito no Largo São Francisco, em São Paulo, mas preferiu trocar as encenações dos tribunais pela dramaticidade dos palcos.

Além do estágio, Antunes manteve dedicação ao teatro fora do horário do "expediente". Na época, uniu-se à Turma da Biblioteca, um grupo de estudantes que se dedicavam unicamente a beber, filosofar e visitar regularmente uma biblioteca na rua Sete de Abril na capital paulista. Gastavam horas consumindo em doses cavalares literatura especializada em teatro e cinema.

"Nunca paguei para assistir a qualquer espetáculo no Municipal, eu conhecia o porteiro e ele me deixava entrar de graça", lembra-se com orgulho da estripulia. Ainda em 1950 trabalhou nos primeiros teleteatros da América do Sul, na TV Tupi, marcando sua presença nas telas desde os primórdios da tevê. Entre os anos de 1955 e 1957, dedicou-se à produção e direção de programas de televisão, como os culturais Grande teatro Tupi e Entre-ato. A experiência internacional de Antunes ficou por conta de um estágio no teatro italiano Piccolo Teatro de Milano, em 1960, graças a uma bolsa de estudos concedida pelo governo italiano. Um ano mais tarde, quando retornou ao Brasil, voltou a trabalhar na televisão, mas cansou-se em seguida, quando sentiu que havia ultrapassado seu amadorismo. Além disso, a tevê também começou a desagradá-lo, pois havia se tornado massificada, chata e essencialmente comercial, segundo afirmou. "Eu estava no auge, mas fazendo teatro comercial. Quando me dei conta disso, parei com tudo", diz. Rompendo com o teatro que considerava ultrapassado, partiu para a direção de sua primeira peça, Macunaíma, em 1978, considerada um marco da dramaturgia nacional. No mesmo ano fundou o Centro de Pesquisa Teatral (CPT). No momento, prepara-se para apresentar Fragmentos troianos, adaptação de uma tragédia de Eurípedes, cuja estréia se dará em junho, em Istambul, na Turquia.

VOCÊ SABIA?
Era office-boy na Prefeitura de São Paulo e insistiu para integrar o grupo do diretor Osmar Cruz. Foi selecionado, mas não ganhou o papel principal. Por pirraça, formou seu próprio elenco, roubando os alunos de Osmar. Mandou seu recado: "Devo meu sucesso ao seu boicote"

EM CENA
· Macunaíma (1978)
· Nelson 2 Rodrigues (1986)
· A hora e a vez de Augusto Matraga (1987)
· Nova velha estória (1991)