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O Brasileiro do Século

19) Nelson Pereira dos Santos
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Até o título do filme é mentiroso!" disse o chefe de polícia quando censurou, em 1955, o primeiro longa de Nelson Pereira dos Santos, Rio,40 graus. Segundo o censor, a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6ºC. "Na verdade, o filme retratava nas telas o sofrimento do povo brasileiro", disse o cineasta a ISTOÉ. Os censores ainda não sabiam, mas Rio, 40 graus ainda lhes daria muito trabalho: foi a obra-prima de Nelson a grande inspiradora do cinema novo, que produziria ainda dezenas de filmes contestadores e polêmicos.

Desde o início da carreira, em 1950, Nelson foi obrigado a conviver com a censura. "Todos os meus filmes eram proibidos e eu aprendi a lidar com isso", lembra Nelson, 70 anos, quase 60 de carreira e 17 filmes na bagagem. De tanto ser perseguido, aprendeu a negociar o período em que o filme ficaria suspenso. "Geralmente os militares censuravam a exibição de meus filmes por 20 anos, mas eu chorava para dez", ironiza.

Paulistano descendente de italianos, nasceu no Brás (zona leste da capital paulista). Chegou a cursar Direito, mas abandonou o curso para abraçar o cinema. Tinha 20 anos e pouco dinheiro no bolso quando desembarcou em Paris com o objetivo de estudar na melhor escola de cinema do mundo, o Instituto de Autos Estudos Cinematográficos. Quando chegou, as matrículas já haviam se encerrado. Com dinheiro contado para estadia de apenas um ano, gastou muito sapato de tanto andar a pé. Em vez de almoço, comia lanches baratos. Para não perder a viagem, virou rato de bibliotecas e frequentou a cinemateca de Paris diariamente. Alguns anos depois, ele voltaria à França para receber o prêmio de Melhor Filme para a Juventude por Vidas secas no Festival Internacional de Cannes, em 1964.

VOCÊ SABIA?
Para conseguir uma renda extra e prosseguir os estudos, Nelson vendeu café em pó e cigarros brasileiros em Paris. Os produtos estavam em falta na cidade por causa da Segunda Guerra.

EM CENA
· Rio, 40 graus (1954)
· Rio, zona norte (1957)
· Vidas secas (1963)
· Como era gostoso o meu francês (1971)
· Amuleto de Ogum (1974)
· Memórias do Cárcere (1983)